Por que a felicidade está no passado?

Certa vez li que nosso cérebro passa 90% do seu tempo no passado ou no futuro. Isso porque estamos todos nós pensando nas contas a pagar no dia seguinte ou relembrando nostalgicamente como era boa nossa juventude, infância, etc.
Na arte acontece o mesmo, criando uma nuvem de poeira sobre nossos olhos, o que nos impede de ver o que passa à nossa frente neste exato momento. Pensei nisso ao ler o livro "Adorno", do professor de teoria literária Márcio Seligmann-Silva lançado pela coleção Folha Explica.
Nem um dos pensadores fundamentais das teorias sobre comunicação de massa estava ileso de bradar contra sua época, em detrimento ao passado. Em trechos do artigo “Indústria Cultural e a Sociedade”, Theodor W. Adorno ataca o jazz dos anos de 1930 como símbolo da degradação estética.
Aqui no Brasil, falavam o mesmo do samba e do chorinho e anos depois, do rock no resto do planeta. Todos esses estilos são hoje quase sagrados e acima de qualquer crítica.
Mas o que nos faz olhar o passado sempre com ternura e o presente sempre com racionalismo crítico? Há uma teoria de que o passado nos é melhor, porque nossa vida atual está uma lastima. É uma explicação engraçada, mas que não dá conta de exprimir a totalidade do problema.
Eu gosto de acreditar que tudo que nos envolve necessita de um certo distanciamento para ganhar sua verdadeira face simbólica diante de nossa vida.
Um exercício ótimo, que costumo fazer com meus botões, é pensar em como eu receberia algumas manifestações artística e sociais caso fosse contemporânea a elas. Amaria logo de cara? Odiaria? Teria ressalvas?











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