2.24.2011

O importante é aparecer


Puxe na memória e me responda: Você conhece alguém que é fã do programa Big Brother Brasil? Não estou dizendo alguém que só assista, mas alguém que defenda o programa, fale que ele é interessante, seja pelo motivo que for.
Todos que conheço falam mal do tal do BBB. Reclamam dos escândalos forçados, das edições fraudulentas, da forçação de barra e da apelação para se conseguir audiência.
Mesmo assim, a atração global é um dos programas de maior audiência da televisão brasileira e seu faturamento é estratosférico, o que provoca a volta anual do Pedro Bial à telinha todos os meses de janeiro.
Vamos sair um pouco da TV agora e vamos para a música. Quem é hoje o maior fenômeno adolescente do pop brasileiro? A resposta deve ser fácil: Restart. E quem aqui, com mais de 12 anos de idade já não se pegou fazendo alguma piadinha sobre o grupo de happy rock (seja lá o que isso signifique)? Os cabelos, as calças coloridas, os óculos. Tudo vira motivo de piada na internet ou entre amigos. Algumas até violentas e cheias de ódio gratuito contra os pobres meninos – particularmente acho que tem coisa muito pior aí revestida de chique que todo mundo engole sem reclamar, mas isso é outro assunto. Mas não tem um programa de TV atual que não sonhe em ter os jovens coloridos.
Tudo isso aponta para um novo parâmetro no que chamamos de mundo das celebridades. No ano de 2011 o importante é aparecer, não importa como. É a nova versão – desta vez levada a sério – do “falem mal, mas falem de mim”.
O pensamento do empresariado do mundo do entretenimento é que nós admiramos pessoas que estão na mídia e nem ligamos os motivos que a levaram lá. O filme “Assassinos por Natureza” (1994), de Oliver Stone, conta a saga de um casal de serial killers que se tornam celebridades mundiais por atravessarem os Estados Unidos assassinando pessoas. Os jovens imitam suas roupas, cortes de cabelo e atitudes sem se importarem com as atrocidades cometidas.
Como a vida imita a arte, um dia poderemos ver essa situação. Então, vamos pensar positivamente: Por enquanto só o respeito a nossa cidadania e ao bom senso estão sendo exterminados. Não que seja pouca coisa, mas tudo tende a piorar, como já diria a Lei Murphy.

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Luciano Assis, 32, é repórter do Caderno L do jornal LIBERAL, onde escreve diariamente sobre música, literatura, cinema, teatro e artes plásticas. É também o responsável pela coluna “Entrelinhas”, publicada na edição de domingo do jornal, onde analisa assuntos culturais que foram notícia no decorrer da semana.
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