Brasil: Um país sem tradição para a afronta

O brasileiro não gosta de afronta. Isso é um fato e é muito ruim para nossa evolução, principalmente artística. Afronta não quer dizer barraco, briga, ofensas pessoais. Nada disso. Falo da afronta intelectual, do debate civilizado e da importância de se negar conceitos anteriores.
Mas qualquer negação do que nos é empurrado, transforma-se em um ato de violência pessoal, dá processo, briga na rua. Isso está nos deixando imobilizados há anos.
O que as pessoas não entendem é que na arte existe todo um ciclo, um ecossistema do qual o artista, o jornalistas, o público e os críticos participam. Dias atrás, o cantor Lobão deu a seguinte declaração sobre Ivete Sangalo: “Ivete até é bonitinha, mas quando abre a boca estraga tudo”.
Na internet milhares de fãs da baiana ficaram muito ofendidos. Bobagem. Lobão é mais esperto do que a média e sabe como as coisas funcionam. Quando ataca Ivete, na verdade está querendo impor seu trabalho, que vai na contramão do que Ivete faz, pensa e age. Não tem nada de errado nisso, é apenas uma delimitação de espaço, de postura.
Ivete poderia ir no caminho contrário, falar que enquanto Lobão a crítica ela está milionária e atualmente dinheiro é a única medição do real sucesso de alguém e filosofias éticas são bobagens. Seria uma atitude sincera e também divertida. É hora de começar a jogar esse jogo.











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