9.30.2010

Heróis e vilões da TV



Notícia que saiu no site UOL na última sexta-feira: “Candidato Tiririca pode ter 1 milhão de votos”. O próprio presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, é quem divulgou o cálculo, lembrando que estamos a uma semana das eleições e o palhaço Tiririca concorre a uma vaga de Deputado Federal, alegando que não tem proposta nenhuma, caso eleito, e que sua intenção mesmo é ajudar sua família com o robusto salário. É uma piada, mas como brasileiro é um povo bem humorado, muitos estão rindo ao dar seu voto ao candidato.
Tiririca é o mais destacado dos candidatos “celebridade da TV”. Junto com ele, temos espalhados pelo Brasil afora muitas mulheres melão, abacate, uva e todo o fim de feira, somados com apresentadores de programas sensacionalistas e outros habitantes da nossa fauna televisiva. E muitos deles, bem colocados.
Além de uma reflexão política, a eleição 2010 também poderia servir para um novo diálogo sobre a televisão brasileira, pois todas essas figuras têm em comum o fato de advirem de programas do mundo cão, onde o enfoque na humilhação humana, no humor escroto, na apelação sem regras éticas são da tônica.
Algumas pessoas defendem que a proliferação desses programas na TV não extrapola os limites da telinha, já que todos sabemos diferenciar realidade e ficção. É o exemplo da criança que vê o super-homem na TV: Ela não vai pular da janela do prédio para sair voando, só porque o herói faz. Ela sabe diferenciar realidade de história fantástica.
Talvez não sejamos tão inteligentes e ponderados quanto as crianças, pois nossos vilões televisivos estão invadindo nossas vidas, através de Câmaras Federais e Estaduais e Senado.
Quando a violência subir, a saúde decair e nossas crianças morrerem em alguma fila esperando atendimento, não vai adiantar reclamar com o Datena.

Tom x Sinatra



Em 1967 o maior cantor americano de todos os tempos, Frank Sinatra, fez um disco inteiro só com músicas do nosso Tom Jobim, levando aos céus do estrelado a bossa nova criada no Rio de Janeiro pouco menos de dez anos antes. Nos anos seguintes, a dupla chegou a repetir a parceria em gravações que nunca chegaram ao mercado (só aos colecionadores). Agora, esse CD contempla absolutamente tudo que Sinatra e Jobim fizeram. Belos tempos em que sinônimo de “dupla” eram esses dois monstros em estúdio!

9.29.2010

Os 75 anos de Jerry Lee Lewis



Uma das figuras mais loucas da música completa nesta quarta-feira 75 anos de idade. Um viva a Jerry Lee Lewis.

9.21.2010

Os audiófilos dizem adeus


Música em pequenas caixas de computador, pelo celular, compactadas em diversos formatos como Mp3, Mp4. Ouvir música hoje tornou-se algo extremamente prático se comparado com tempos idos, quando a sala de casa era o único espaço destinado a essa atividade quase familiar.
No entanto pesquisas recentes apontam que toda essa tecnologia tem surtido um efeito contrário quando o assunto é qualidade técnica dos audios de novas produções de estúdio. O problema é que gravadoras e produtores estão cada vez dando menos atenção a nuances de gravações, já que elas ficam quase imperceptiveis nessa novas mídias que “achatam” os sons.
Tecnicamente, o que acontece é que as variações de graves e agudos em Cds lançados nos últimos anos são quase imperceptiveis. São as próprias gavadoras que pedem para que os engenheiros de masterização aumentem bastante o nível do som, de forma que até as partes mais suaves das músicas fiquem altas. É a maneira encontrada para chamar mais a atenção do ouvintes, através de pequenas caixas.
Alguns produtores chamam esse “truque” de guerra do volume. "Com todas as inovações técnicas, a música ficou pior", constata Donald Fagen, músico do grupo de jazz rock da década de 70 Steely Dan, em uma entrevista recente para a revista Rolling Stone, a primeira publicação a divulgar uma pesquisa feita por engenheiros de som americanos que mostra a queda de qualidade em músicas gravadas de uma década para cá.
Com isso, torna-se cada vez mais raras pessoas como o musicoterapeuta Ricardo Luiz Silveira, um apaixonado por música desde os 7 anos de idade. Sua aparelhagem de som custou aproximadamente R$ 20 mil, entre aparelhos e acessórios. O diferencial do equipamento é que ele busca incansavelmente o som analógico, isto é, o mais próximo do que foi gravado no estúdio. É nele que Ricardo ouve sua coleção de incontáveis discos de vinil, a maioria de 180 gramas (os melhores disponíveis no mercado).
“Se um dia você pudesse ouvir uma canção registrada em master digital, e em seguida ouvir a mesma peça, porém, gravada em analógico, você diria que é outra música.
Tenho vinil gerado a partir do master tape original, e posso dizer que o resultado na reprodução é de chorar de emoção”, explicou o audiófilo, uma espécie em extinção no mundo.
“Outro dia estava lendo um artigo sobre os engenheiros de estúdio atuais, e eles declaram que a regra é chapar, isto é, compressão ao máximo, de forma que todos os instrumentos fiquem na mesma altura, gritados, borrados, de forma que não se diferencia um Fender Rhodes de um Glockenspiel”, reclamou.

Cinema

Mas não é só na música que as novas tecnologias estão extinguindo sutilezas que antes eram naturais. Os downloads de filmes e vídeos também estão fazendo cair a atenção de novos cineastas a planos abertos em cenas de novos filmes.
Uma prova é que filmes atuais usam cada vez mais cenários de estúdio, ao invés de locações abertas, derrubando os gastos com transportes, viagens, locomoção de elenco.
É o paradoxo da tecnologia do século 21.

9.20.2010

Eu voltei!



Acabou o que era doce. Ou seja, minhas férias já eram. Retornei hoje aqui à redação do LIBERAL e aos pouquinhos volto a atualizar o blog. Me aguardem, pois tenho novidades.
Editor
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PerfilLuciano Assis
Luciano Assis, 32, é repórter do Caderno L do jornal LIBERAL, onde escreve diariamente sobre música, literatura, cinema, teatro e artes plásticas. É também o responsável pela coluna “Entrelinhas”, publicada na edição de domingo do jornal, onde analisa assuntos culturais que foram notícia no decorrer da semana.
Perfíl do Blog
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O Blog Entrelinhas é uma extensão do Caderno L do LIBERAL, e tem como meta informar, comentar e analisar aspectos relevantes da Cultura local, nacional e internacional de forma ágil e interativa com seus leitores, criando uma rede de discussão acerca do mundo dos espetáculos.

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