Heróis e vilões da TV

Notícia que saiu no site UOL na última sexta-feira: “Candidato Tiririca pode ter 1 milhão de votos”. O próprio presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, é quem divulgou o cálculo, lembrando que estamos a uma semana das eleições e o palhaço Tiririca concorre a uma vaga de Deputado Federal, alegando que não tem proposta nenhuma, caso eleito, e que sua intenção mesmo é ajudar sua família com o robusto salário. É uma piada, mas como brasileiro é um povo bem humorado, muitos estão rindo ao dar seu voto ao candidato.
Tiririca é o mais destacado dos candidatos “celebridade da TV”. Junto com ele, temos espalhados pelo Brasil afora muitas mulheres melão, abacate, uva e todo o fim de feira, somados com apresentadores de programas sensacionalistas e outros habitantes da nossa fauna televisiva. E muitos deles, bem colocados.
Além de uma reflexão política, a eleição 2010 também poderia servir para um novo diálogo sobre a televisão brasileira, pois todas essas figuras têm em comum o fato de advirem de programas do mundo cão, onde o enfoque na humilhação humana, no humor escroto, na apelação sem regras éticas são da tônica.
Algumas pessoas defendem que a proliferação desses programas na TV não extrapola os limites da telinha, já que todos sabemos diferenciar realidade e ficção. É o exemplo da criança que vê o super-homem na TV: Ela não vai pular da janela do prédio para sair voando, só porque o herói faz. Ela sabe diferenciar realidade de história fantástica.
Talvez não sejamos tão inteligentes e ponderados quanto as crianças, pois nossos vilões televisivos estão invadindo nossas vidas, através de Câmaras Federais e Estaduais e Senado.
Quando a violência subir, a saúde decair e nossas crianças morrerem em alguma fila esperando atendimento, não vai adiantar reclamar com o Datena.











