7.27.2010

O canto do cisne de mestre Paulo Moura



Neste mês de julho perdemos o saxofonista e clarinetista Paulo Moura, que na música brasileira e internacional já tocou com meio mundo, de Nat King Cole a Jacob do Bandolim.
Esta gravação foi feita menos de 48 horas antes da morte do mestre, quando este foi vistado pelo amigo Wagner Tiso. A fraquesa que o levaria tão logo está aqui registrada no video, mas muito maior que isso é sua genialidade que ressalta aos ouvidos e lacrimeja aos olhos.

7.26.2010

Os finais mais surpreendentes



O jornal britânico The Guardian publicou em sua edição de hoje uma lista dos filmes com os finais mais surpreendentes da história. Gostei da lista, inclusive da ordem em que os filmes aparecem. Mas é aquilo: Listas sempre deixa algo de fora e desagrada todo mundo. Você lembra de algum filmes com final surpreendente que não entrou nesta eleição?

1. "O Sexto Sentido": Dr. Malcolm Crowe (Bruce Willis) estava morto o tempo todo.

2. "Psicose": A sra. Bates estava morta o tempo todo.

3. "Os Suspeitos": Roger "Verbal" Kint (Kevin Spacey) é pior do que se pensava.

4. "Star Wars - Episódio V - O Império Contra-Ataca": Darth Vader (David Prowse) é o pai de Luke Skywalker (Mark Hamill).

5. "Jogos Mortais": Jigsaw (Tobin Bell) não estava morto.

6. "Clube da Luta": O narrador (Edward Norton) e Tyler Durden (Brad Pitt) são a mesma pessoa.

7. "O Sacrifício": Lord Summerisle (Christopher Lee) estava planejando matar Sergeant Howie (Edward Woodward) o tempo todo.

8. "Os Outros": Grace Stewart (Nicole Kidman) estava morta o tempo todo.

9. "Seven - Os Sete Crimes Capitais": John Doe (Kevin Spacey) é pior do que se pensava.

10. "Planeta dos Macacos": O cenário é a Terra no futuro.

7.22.2010

Enfim uma homenagem sincera a Renato Russo



Poucos artistas tiveram sua memória tão maltratada nos último anos quanto Renato Russo. A quantidade de discos tributos com gente que mal conhece a Legião Urbana, coletâneas picaretas e versões horrendas dão a tônica do tipo de homenagem.
Agora é a vez da cantora Leila Pinheiro lançar "Meu Segredo Mais Sincero", um Cd só com canções assinadas por Renato Russo e seus companheiros (Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá). Apesar de não ter gostado tanto do resultado (ouvi pouco, então não leve minha opinião tão a sério) afirmo aqui é trata-se de uma homenagem verdadeira, dessas que honram a memória do defunto.
Leila foi amiga pessoal de Renato, sempre se disse fã e durante grande parte da carreira cantou muitas músicas dele em shows ou em discos. Ah, se todos fossem iguais da você.

7.21.2010

Radiola 61


Essa edição do Radiola traz os novos discos de David Bowie (ao vivo) e de Ozzy Osbourne (todo inédito). Também lembra de um clássico da MPB que está há anos fora de catálogo e recheia seus blocos com nomes da mais alta estirpe como Muddy Waters, Roy Orbison, Iggy Pop e Raul Seixas.










Clássico da semana
1 - Simon and Garfunkel - "Bridge Over Trouble Water" (1970)

Bloco 1
1 - Muddy Waters - "Mannish Boy"
2 - Roy Orbison - "You Got It"
3 - Raul Seixas e Marcelo Nova - "Carpinteiro do Universo"

Bloco 2
1 - The Stooges - "Down on the Street"
2 - Iggy Pop - "Lust for Life"
3 - Iggy pop - "King of the Dogs"

Não lançamento da semana
1 - "Caça à Raposa", de João Bosco - "Mestre Sala dos Mares"

Lançamento
1 - Stone Temple Pilots - "Dare If You Dare" - Stone Temple Pilots
2 - Ozzy Osbourne - "Life Won't Wait" - Scream

Lançamento
1 - David Bowie - "Life on Mars?" - Storytellers

BG - Chemical Brothers - "Further"

Link:
http://www.liberal.com.br/cadernos/podcast_ver.asp?c=02F0C950455

7.20.2010

Os 30 anos de Gisele Bündchen



Uma homenagem a mais nova balzaquiana do pedaço, que também é nosso mais belo produto de exportação.

Donos do mundo


O sucesso é inebriante. Prova disso é que um simples elogio é capaz de elevar nosso ego às alturas. Por que digo isso? É que vendo o caso do goleiro Bruno, acusado de assassinar a amante com a ajuda de amigos puxa sacos comecei a pensar que na mídia muitas vezes serve como uma espécie de fermento puramente egocêntrico que atinge desde inúteis ex-BBBs até gente com talento genuíno.
Diz a lenda que certa vez o cantor Jon Bon Jovi causou um escândalo em um hotel em São Paulo e fez toda sua equipe mudar de andar por causa de um pingo que o ar condicionado do seu quarto deixou cair sobre o tapete. Você simples mortal teria coragem de fazer isso? Claro que não, até porque o gerente do hotel riria da sua cara e mais ainda do seu pedido de mudança.
Mas eu, você, o jornalista da revista de fofoca e as fãs tratam qualquer grande artista como reis e quem têm sangue azul tem o direito aos pedidos mais esdrúxulos, pois mesmo assim eles serão acatados.
Mas onde eu queria chagar é no seguinte: Por mais que o goleiro Bruno e seus amigos tenham traços psicopatas ou coisa parecida, acho que também nos vale uma reflexão sobre o valor que nós e a mídia damos a quem ganha destaque. Sabe quem foi a personalidade do ano de 2009 para uma revista de fofoca de grande circulação no Brasil? Sandy, que neste ano lançou um disco de inéditas, mas que durante mais de dois anos foi uma simples dona de casa. Isso deveria ser considerado uma aberração, mas poucos notam a loucura que é alguém aparecer me capas de revistas chupando sorvete, comprando frutas na feira (uma vez fotografaram o Caetano Veloso fazendo isso!) iu indo passear na praia. É como se dissessem: “Essa pessoa, mesmo no auge de sua superioridade, é capaz de descer de seu trono e andar entre os mortais”.
Daí para o sentimento de dono do mundo, que pode resolver até matar alguém que lhe coloca em sua frente é um pulo. Pois a punição é para nós, pobres plebeus.

7.14.2010

Ezequiel Neves e o fim de uma era


Morreu na última quarta-feira no Rio de Janeiro o produtor, jornalista e “homem de gravadora” Ezequiel Neves, aos 75 anos. Quem é mais antenado em música e mais velho, lembra-se com alegria dos textos cheios de paixão que ele assinava na década de 70 em jornais e revistas de São Paulo e Rio de Janeiro. Já a maioria, tem ele na lembrança como “o cara que descobriu” o Barão Vermelho e se tornou uma espécie de guia espiritual de Cazuza. Essa relação com é bem destrinchada no filme “Cazuza – O Tempo Não Para”, de Sandra Werneck e Walter Carvalho, onde ele é interpretado brilhantemente pelo ator Emílio de Mello.
Mas o que mais me veio à mente quando soube da morte desse desbravador da crítica pop nacional foi o fato dele ter sido acima de tudo um “homem de gravadora”. Uma espécie que hoje, infelizmente para o futuro da nossa música, não existe mais.
Então vamos lá: Neves descobria talentos, ouvia novos artistas, produzia e apostava naquilo que lhe despertava paixão. Foi assim que insistiu para a Som Livre fechar contrato com o Barão Vermelho.
Hoje, gente de gravadora odeia música, mas gosta de dinheiro. Artistas são cifrões ambulantes, mega empresas ambulantes que vão somando altas quantias por onde passam. Eles são bons? Quem se importa com isso? Eles pagam as contas.
Certa vez, ao elogiar um disco hoje clássicos do Rolling Stones, ele assinou a matéria como Zeca Jagger. Era antes de tudo uma declaração de amor apaixonada.
Há algumas semanas entrevistei o cantor Nasi, ex-cantor do Ira! para uma matéria aqui no LIBERAL. Ele está de gravadora nova, pequena e cujo um dos sócios é o grande Erasmo Carlos. Naquele bate papo pré-entrevista ele soltou uma informação que não foi inclusa no texto final, mas que achei fundamental dividir com vocês: “No dia em que fui fechar contrato e falar sobre o disco, passei horas conversando numa mesa sobre música, ideias que tinha para o álbum, etc. Foi a primeira vez em muitos e muitos anos que sentei numa mesa e ao invés de ficar discutindo dinheiro, porcentagem, lucros, dividendos, falei de música”. É o sinal de nossos tempos.

7.06.2010

OMB: O cerco se fecha



Vem correndo desde o ano passado na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo o projeto de Lei 214/2009, de autoria do deputado Carlos Giannazi (PSOL), que proíbe a exigência de comprovação de inscrição na Ordem dos Músicos do Brasil como requisito para a emissão de notas contratuais aos músicos que se apresentam no território paulista. Em Brasília o ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Britto, já havia recebido em audiência, no último mês de maio, o mesmo Giannazi, que desde o ano passado coordena a “Frente Parlamentar em Defesa dos Músicos e Compositores do Estado de São Paulo”. O Ministro prometeu apoio ao projeto.
“Durante anos músicos de diversas frentes reclamaram da abusiva interferência da OMB, mas nunca aconteceu um movimento organizado contra ela, que é o que está acontecendo neste momento”, explicou o deputado.
Criada durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek, a OMB fiscaliza o trabalho dos músicos da noite mais ou menos como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) fiscaliza os advogados ou o Conselho de Medicina fiscaliza os médicos.
O problema é que para muitos músicos, as taxas cobradas pela entidade não retornam de maneira alguma aos contribuintes.
“O maior problema (da OAB) é, sem sombra de dúvida, a falta de apoio concreto, no sentido de dialogar com os artistas, ir ao encontro de todos, e de uma maior divulgação da instituição nas regiões mais afastadas, nos interiores. O segundo é que só ouvimos dizer: ‘Olha, a OMB, fechou tal lugar, eles proibiram, eles estão percorrendo a região atrás dos que não são filiados, etc’. Nunca ouvimos o retorno dos benefícios, que a instituição beneficiou alguém, ou que ajudou alguém a se estabilizar financeiramente como profissional da área”, reclamou o músico Clayton Prado, de Americana.
A reportagem do LIBERAL passou a semana tentando achar algum músico que fosse a favor de existência da OMB, e a única opinião contra a corrente veio do trompista da OSMC (Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas), Joel Dionísio. “Eu também protesto contra esses boatos que querem extinguir a OMB, acho que a profissão de Músico tem que continuar regulamentada, se acabarem com ela, junto vão as Faculdades. Tem muitas Universidades que não têm certos cursos de instrumentos como a Unicamp, que só oferece curso de alguns, faz mais de 20 anos que não contratam professor de Trompa, sabe por quê? Não tem interesse, enfim, se acabarem com o único Órgão (OMB) que nos defende, estamos perdidos, é isso", reclamou o músico, que possui até depoimento da página de internet da OMB.

Novidades à vista

O jornalista Pedro Alexandre Sanches, da revista Carta Capital, que há anos faz matérias sobre os desmandos da Ordem, o trabalho feita pela entidade é um resquício do regime militar que se abateu sobre o Brasil entre 1964 e 1985. Ele prova sua tese através da permanência do ex-presidente da entidade, Wilson Sandoli, que ficou no cargo de 1966 a 2009, só saindo após ser deposto do cargo. “A ordem vigente iniciada com o golpe militar de 1964 se conservou concentrada na figura de Wilson Sandoli. Ele foi sistematicamente reeleito e governou a música brasileira por várias frentes”, comparou.
“Com toda essa movimentação contra a Ordem, essa exploração feita sobre os músicos está com os dias contados. Creio que no segundo semestre essa obrigatoriedade da cobrança de anuidade caíra por terra. Para se ter uma ideia da fome arrecadativa dele, aqui em São Paulo temos fiscais indo a igrejas multar músicos que tocam violão em cultos. É um absurdo!”, ataca o deputado Carlos Giannazi.
Clayton Prado vislumbra não o fim da OMB, mas uma reciclada geral em seus ideiais. “Temos como sugestão a opinião que a OMB não seja simplesmente extinta e sim, transformada em associação ou organismo de apoio aos músicos e autores, assim deixando de ser um órgão de fiscalização para ser uma entidade de cunho mais social voltado à arte”, sugeriu Clayton Prado.

7.05.2010

Seu Madruga


Sempre me impressionaram fenômenos que surgem nas entranhas da sociedade, aqueles que vão sendo fomentados à margem dos grandes meios de comunicações até que um dia são descobertos (ou não) pelo Domingão do Faustão.
Poderia dar muitos exemplos aqui, do hip hop ao pagode, que antes de virarem trilha sonora de filhos da classe média que anda de carro do ano emprestados dos pais, eram ouvidos das periferias dos grandes centros.
Quer outro exemplo? O personagem Seu Madruga, do seriado “Chaves”, que passou a ser exibido no Brasil lá no meio dos anos 1980. O enlatado mexicano virou febre desde sua primeira exibição. Também pudera, até hoje é difícil não rir com aquelas piadas ao mesmo tempo batidas, mas naturais saídas das falas do Quico, Chiquinha, Dona Florinda, etc.
Mas o único que foi elevado ao status de ícone foi o Seu Madruga, uma criação do ator Ramón Valdés, que por uma coincidência mórbida faleceu na mesma época que “Chaves” começava a ser exibido aqui pela então iniciante emissora de Silvio Santos.
Mas por que dei para falar do Seu Madruga aqui neste espaço? É que de maneira tímida, o mercado editorial brasileiro vem assistindo a um fenômeno nos últimos dois meses. É que o livro “Seu Madruga – Vila e Obra” (Editora Mirabolante), do jornalista Pablo Kaschner está a oito semanas liderando o pódio das biografias mais vendidas do país. São dois meses, um número invejável para qualquer livro no Brasil, um país que, dizem, não é muito afeita à leitura.
No livro, o autor relata através de 14 capítulos (o número de meses que o personagem deve de aluguel ao credor Seu Barriga) a saga do ator na criação e desenvolvimento do mais brasileiro dos mexicanos. Isso. Brasileiro. Esse é o segredo do sucesso de Seu Madruga aqui. Sua capacidade de improvisação, seu humor em meio à desgraça e sua esperteza é o principal motivo para ter se tornado tão querido.
E no geral, o seriado “Chaves” tem tantos fãs até hoje porque era o mais natural dos programas infantis de sua época. Quando Xuxas e Angélicas pintavam um mundo de faz de conta na TV, era no “Chaves” que todos víamos aquela “maldade” esperta que existe em cada criança. Seus personagens respondiam pais e amigos como um tiro certeiro, e quem um dia foi criança admira isso. Nada mais natural que hoje, Seu Madruga e companhia, sejam adorados.
Editor
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PerfilLuciano Assis
Luciano Assis, 32, é repórter do Caderno L do jornal LIBERAL, onde escreve diariamente sobre música, literatura, cinema, teatro e artes plásticas. É também o responsável pela coluna “Entrelinhas”, publicada na edição de domingo do jornal, onde analisa assuntos culturais que foram notícia no decorrer da semana.
Perfíl do Blog
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O Blog Entrelinhas é uma extensão do Caderno L do LIBERAL, e tem como meta informar, comentar e analisar aspectos relevantes da Cultura local, nacional e internacional de forma ágil e interativa com seus leitores, criando uma rede de discussão acerca do mundo dos espetáculos.

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