6.30.2010

Radiola 60

O Radiola chega a sua edição de número 60 saudando o inverno, estação que acaba de chegar neste Brasil varonil trazendo frio para nossa querida terra tropical. Para saudar a estação invernal, uma seleção de bandas vindas dos lugares mais frios do planeta. Também de um lugar frio, veio Mark Lanegan, cantor que surgiu no boom dos grupos de Seattle e que veio ao Brasil neste mês. Na sessão de lançamentos, os novos trabalhos de Devo, Tom Petty e um resgate da obra do compositor Zé do Norte. Vamos lá:

Clássico da semana
1 - Bauhaus - "Ziggy Stardust"

Bloco 1
1 - Sugarcubes - "Motocrash"
2 - The Young Gods - "Speak Low"
3 - Arcade Fire - "Crown of Love"

Bloco 2
1 - Screaming Trees - "Sworn and Broken"
2 - Mark Lanegan and Isobel Campbell - "Ramblin Man"
3 - Queens of Stone Age - "This Lullaby"

Não lançamento da semana
1 - Luiza Maria - "Eu Queria Ser um Anjo" (1975)

Lançamento
1 - Devo - "Please, Baby, Please" (Something for Everyday)
2 - Tom Petty and the Heartbreakers - "Good Enough" (Mojo)

Lançamento 2
1 - Socorro Lira - "Flos do Campo", "Sodade, Meu Bem, Sodade" (Lua Bonita)

BG: Apocalyptica: "Plays Metallica by Four Cellos"

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6.29.2010

A dialética do caipira

É nítido a movimentação em torno do resgate de tradições oriundas do interior de São Paulo, que no passado sempre sofreu com preconceitos diversos.
Mais do que uma “aceitação” do caipira, vejo em todos esses eventos uma reavaliação da visão que até então se tinha do povo do interior, que foi formatada a partir da década de 1950/60 com o início do êxodo rural para os grandes centros. Foi nesta época que começaram a nascer no rádio e no cinema personagens como Mazzaroppi que personalizavam o homem do campo como um ser esperto dentro de uma natureza “sem maldade”. Essa visão chegou até os nossos dias com várias outras criações de humor, como Nelson da Capitinga.
O crescimento do sertanejo “moderno” como música comercialmente mais viável no mercado a partir dos anos 1990, se não fez bem aos nossos queridos ouvidos do ponto de vista musical, por outro lado tirou um pouco do estigma de caipira alienado da sociedade urbana.
Mas creio que o principal motivo para esse novo paradigma, e aí entra em campo o trabalho de gente da mais alta estirpe como Inezita Barroso, Renato Teixeira, Rolando Boldrin e alguns outros, é a recuperação do legado caipira para a chamada “grande arte” (aspas nesse caso são imprescindíveis, já que arte não se mede).
O caipira não é somente o Jeca Tatu, de Monteiro Lobato, mas gente que ditou tendências futuras dentro da cultura brasileira, como Tarsila do Amaral, Antonio Candido, e o próprio Monteiro Lobato.
Talvez o futuro desses importantes projetos sejam esse: Deixar claro que a música, a pintura, a literatura e todas as manifestações do não são necessariamente frutos de uma incapacidade de entender o mundo, mas uma visão desse mundo.

Vai começar tudo de novo...



Foi divulgado hoje o Trailer oficial do filme "Tropa de Elite 2", um dos filmes que promete ser a sensação de 2010 aqui no Brasil.

6.28.2010

Mais vuvuzelas

V de Vuvuzela



A grande estrela dessa Copa do Mundo.

6.23.2010

O beijo dos beijos



O beijo mais famoso da história não vem de um filme ou de uma foto publicitária. Ele foi real, e foi dado em 14 de agosto de 1945 durante o desembarque das tropas americanas na volta da 2ª Guerra Mundial.
A imagem foi captada pelo fotógrafo Alfred Eisenstaedt, e flagrava a enfermeira Edith Shain e um marinheiro se "reencontrando" após anos de guerra na Europa.
Muitas décadas depois o própria Edith, que era enfermeira, confessou que não conhecia o marinheiro e que ele a segurou no meio da multidão, dando um beijo que na verdade só durou alguns segundos, já que a moça empurrou o garotão logo em seguida.
O motivo dessa história ter sido lembrada é que Edith faleceu aos 91 anos deixando três filhos, seis netos e oito bisnetos.

6.21.2010

O divulgador da Língua Portuguesa


José Saramago, que morreu na última sexta-feira aos 87 anos de idade, não foi nem de longe o maior escritor de Língua Portuguesa que já tivemos. Pelo menos duas dezenas de outros nomes poderiam ser citados à sua frente, começando por Luiz de Camões, Machado de Assis e Fernando Pessoa.
Mas poucos elevaram à Língua Portuguesa ao primeiro plano da literatura mundial como ele. E nem falo apenas do seu Prêmio Nobel de Literatura ganho em 1998 pelo livro “Ensaio Sobre a Cegueira” (1995), que acabou virando filme em 2008 pelas mãos do brasileiro Fernando Meirelles.
Saramago estava constantemente no olho do furacão dos debates mundiais. Sentia prazer em emitir opiniões, sendo muitas delas polêmicas, sobre Deus e o mundo, literalmente.
Aliás, como morte também significa distorção da imagem real do falecido, a partir de agora corremos o risco de vermos o legado do português resumido às suas polêmicas frases de efeito ateístas contra a noção ocidental de Deus e seus ataques raivosos contra a Igreja Católica, que sempre o atacou por livros como “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”(1991).
Nos últimos anos confesso que fiquei incomodado com algumas opiniões de José Saramago a favor de regimes socialistas, com o de Fidel Castro. Sua defesa ao regime cubano me soava como algo ultrapassado e me batia aos ouvidos como àquela esquerda inocente dos anos 1970, que enxergava o mundo de maneira maniqueísta.
Mas é aquela história: Os homens passam e a obra fica. E o que importa hoje é o legado deixado por Saramago, o mais simbólico escritor em língua portuguesa da segunda metade do século 20. Numa época em que grandes escritores e poetas portugueses e brasileiros estavam nos deixando pela posteridade, Saramago inicia sua temporada mais produtiva, com a publicação de “Memorial do Convento” (1982) e chegando até o mais recente “Caim” (2009), que para variar enfureceu a Igreja Católica.

6.18.2010

José Saramago (1922-2010)






José Saramago era até hoje o maior nome da literatura em Lìngua Portuguesa vivo. Agora, junta-se à categoria de lendas.

6.16.2010

Radiola 59


O futebol é o tema de quase todo o Radiola desta semana, tomado pelo espírito da Copa do Mundo que começou no último sábado. Tem um bloco só com canções sobre futebol, onde se destacam Chico Buarque, Elis Regina e New Order. Como sábado, dia em que o programa entrou no ar, também foi o Dia dos Namorados, separei um módulo só com bandas comandadas por casais. Para terminar, o relançamento de "Play the Blues", um puta disco dos bluesmen Buddy Guy e Junior Wells e o novo álbum do eterno tropicalista Gilberto Gil.

Clássico da semana
1 - Jorge Ben - "Ponta de Lança Africano" (Umbarauma)- 1976

Bloco 1 (Copa do Mundo)
1 - Chico Buarque - "O Futebol"
2 - Elis Regina - "Meio de Campo"
3 - New Order - "World in Emotion"

Bloco 2 (Dia dos Namorados)
1 - Paul e Linda McCartney - "Another Day"
2 - Blondie - "Sunday Girl"
3 - David Gilmour - "This Heaven"

Relançamento
1 - Buddy Guy and Junior Wells - "Messin´with the Kid" (disco:Play the Blues - 1972)

Lançamento
1 - Gilberto Gil - "Não Tenho Medo da Vida" (disco: Fé na Festa)

BG: Músicos africanos

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6.15.2010

O negro no futebol brasileiro

O titulo desta coluna é retirado de um livro essencial sobre o desenvolvimento do futebol como identidade nacional. Escrito por Mário Filho – irmão de Nelson Rodrigues e homenageado com o nome do estádio do Maracanã – no começo dos anos 60 a obra deixa nas entrelinhas uma informação importantíssima: o negro transformou um esporte em arte. O fato desta Copa do Mundo acontecer no continente africano poderia servir de reflexão para vários paralelos entre o futebol e a arte.
Já foi dito por um crítico musical que toda música popular de qualidade ou é feita por negros ou imita a música feita pelos negros. Verdade. Olhe o jazz, o samba, o blues, a salsa. O resto é valsa, como brincava Tom Jobim.
O brasileiro transformou um esporte aparentemente besta: Onze homens correndo atrás de uma bola e tentando enfiá-la num gol, num espetacular resumo da vida, adornado com uma plasticidade estética.
Mas o Brasil não seria o país do futebol sem o elemento africano de seus jogadores, de Leônidas da Silva e Ronaldo passando por, é claro, Pelé, chegando a Neymar e Ganso.
É possível fazer paralelos com muitas outras artes. Já pensou no samba sem o elemento mãe da África?
Mesmo o rock americano, que acabou explodindo com Elvis Presley, um branco e com as bandas inglesas dos anos 60 – Beatles, Rolling Stones, The Who – não teria a mesma força sem sua raiz iniciada com os descendentes dos escravos africanos levados para a América, repetindo uma história similar em todo o Novo Mundo.
Quem gosta de futebol sabe o martírio que é ver uma seleção alemã jogando. Não significa que eles não sejam eficientes, já que também são tri-campeões. Mas é um futebol sem beleza, plasticidade, ginga.
Por isso, a Copa de 2010 é uma volta do futebol ao seu berço e a alegria que estamos vendo naquele povo é de se emocionar.
Ah, você pode estranhar uma coluna quase inteira sobre futebol num caderno de cultura. Mas não esqueça que somos brasileiros, terra do futebol arte.

6.09.2010

A inquisição de Lindsay Lohan

A atriz americana Lindsay Lohan é tão polêmica quanto má atriz. Tinha uma carreira promissora em Hollywood, mas se assumiu lésbica, brigou com a mãe, apareceu bêbada em público, chorou por namorados, foi presa. Ou seja: Fez tudo que a sociedade americana média e moralista não suporta.
Seus constantes problemas com bebida deram ela punições legais incontetáveis, e que demonstram que no primeiro mundo, a lei serve para todos.
Mas jamais pensei que em pleno século 21 alguém pudesse receber como punição a obrigação de ter colocada em seus pés um sistema que a vigie e dispare caso ela venha a ingerir álcool.

Abaixo transcrevo um trecho da matéria publicada hoje no jornal Folha de SP:

"Uma juíza determinou na terça-feira (8) a prisão da atriz Lindsay Lohan, 23, por ter possivelmente violado os termos da sua liberdade condicional, num processo em que foi condenada por dirigir embriagada em 2007.

A ordem foi emitida após uma reunião de emergência entre o advogado dela e promotores, por causa de rumores --negados pela atriz-- de que no fim de semana ela teria desligado a tornozeleira que "denuncia" se ela violou a proibição de consumir álcool.

Ela tem de usar o dispositivo (conhecido pela sigla Scram) desde o mês passado, quando faltou a uma audiência judicial. Pelo Twitter, ela escreveu: "Meu Scram não estava desligado --isso é fisicamente impossível considerando que não tenho nada com que desligá-lo-- Todos esses falsos relatos são absolutamente errados".


Isso lembra o personagem Big Brother do livro "1984", do escritor Goerge Orwell, um gigante computador que vigia atentamente aos atos de toda a sociedade e pune atos de desacordo com as normas sociais.
Não penso que Lohan não tenha que ser punida. Pelo contrário. Mas não gostaria que a moda pegasse e no futuro os "homens da lei" nos controlasse através de dispositivo eletrônicos, nos colocados com a desculpa de que eles são para o nosso bem.

6.07.2010

O último Harry Potter



O "MTV Movie Awards 2010" divulgou com exclusividade o trailer (na verdade um pedaço dele) de "Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I e Parte II", que estreiam em 19 de Novembro de 2010 e 15 de Julho de 2011, respectivamente.
Como não sou grande conhecedor nem da obra de J. K. Rowling nem dos filmes, minha mais perpicaz observação é para o fato da atriz Emma Watson ter ficado muito, mas muito gata!

O escada perfeita



No humor, escada é aquele personagem que dá subsidios para o humorista mais talentoso desfilar seu talento. Viana Júnior, ator que faleceu nesta segunda-feira foi o escada perfeita para o ator Rony Rios, que durante anos fez a Velha Surda os programa "Praça da Alegria" e "A Praça é Nossa", que ainda hoje se arrasta nas noites do SBT. Discreto, todos se lembravam dele apenas como àquele que ficava nervoso com a velhinha que o enchia o saco.
Viana, que tinha 68 anos, foi enterrado agora a pouco e como lembrança desse humor ingênuo e ultrapassado separei esse video do antigo programa "Praça da Alegria".

6.01.2010

Radiola 58

O Radiola desta semana começa destacando a passagem do Aerosmith pelo Brasil, num show que deu o que falar. Nos blocos temáticos destaque para discos gravados sob problemas de relacionamento entre seus integrantes. O tema é inspirado no relançamento do clássico "Exile On Main Street", dos ingleses do Rolling Stones. Outro bloco, passeio pelo mundo, destacando cantoras cujas vozes foram grande influência para outras artistas do sexo feminino, como Aretha Franklin e Elis Regina (foto).
No nosso bloco de não-lançamento, as estranhas bandas The Shaggs e The Mummies, além do novo (nem tão novo assim!) disco de covers do Placebo.

Clássico da Semana:
1 - Aerosmith - "Home Tonight" (1971)

Bloco 1
1 - Rolling Stones - "Rocks Off" (Exile on Main Street- 1972)
2 - Beatles - "Helter Skelter" (The Beatles- 1968)
3 - Echo ands the Bunnymen - "Ocean Rain" (Ocean Rain-1985)

Bloco 2
1 - Aretha Franklin - "Chain of Fools"
2 - Elis Regina - "Velha Roupa Colorida"
3 - Diamanda Galás - "Iron Lady"

Não Lançamento
1 - The Shaggs - "Philosophy of the World"
2 - The Mummies - "Little Miss T"

Lançamento
1 - Placebo - "20th Century Boy" (Disco: Covers)

BG - Thelonious Monk

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PerfilLuciano Assis
Luciano Assis, 32, é repórter do Caderno L do jornal LIBERAL, onde escreve diariamente sobre música, literatura, cinema, teatro e artes plásticas. É também o responsável pela coluna “Entrelinhas”, publicada na edição de domingo do jornal, onde analisa assuntos culturais que foram notícia no decorrer da semana.
Perfíl do Blog
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O Blog Entrelinhas é uma extensão do Caderno L do LIBERAL, e tem como meta informar, comentar e analisar aspectos relevantes da Cultura local, nacional e internacional de forma ágil e interativa com seus leitores, criando uma rede de discussão acerca do mundo dos espetáculos.

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