5.31.2010

Os 80 anos de Clint Eastwood



No começo dos anos 1970, Clint Eastwood era visto como uma espécie de Sylvester Stallone. Ou seja, um ator de papéis truculentos para filmes sem grande expressão, mesmo que filmes como Dirty Harry não fossem tão ruins. Mas essa era apenas uma das facetas de Clint, que aos poucos foi ganhando espaço como diretor até se transformar num dos monstros sagrados de Hollywood.
Nesta segunda-feira, ele chega aos 80 anos como o, talvez, maior nome do cinema vivo. Nos últimos 20 anos dirigiu pelos menos três grandes obras primas, além de vários outros filmes muito bons. Isso sem entrar no esquema de celebridades americanas, onde as notícias da vida pessoal valem mais que o trabalho.
Para celebrarmos a entrada de clint na oitava década de vida, separei essa cena do filme "Os Imperdoáveis" (1992), onde ele atua e dirige.

Questionário Proustiano


Na década de 1910, o escritor francês Marcel Proust bolou um questionário que era usado durante reuniões entre amigos. Tratava-se de uma série de perguntas pessoais, que revelavam opiniões acerca de assuntos culturais, na tentativa de desvendar o perfil das pessoas por assimilação.
Nesta semana uma estudante me pediu para responder um desses questionários, para usá-lo em uma pesquisa em sala de aula. Foi divertido, e ainda me revelou algumas opiniões que nem eu mesmo saiba que tinha. Se alguém gostar da brincadeira pode me mandar suas respostas. Fiquem com as minhas respostas e as perguntas feitas pela estudante Meire Antunes Silveira, do alto de seus 17 aninhos.


1 – Qual o primeiro livro que você leu na vida?
- “Tonico e Carniça”, de José Rezende Filho.

2 – Tem algum escritor celebrado que você não gosta?
- Nunca consegui adorar Jorge Amado, mas talvez seja falta de insistência. Também não sou fã de Charles Bukowski, que é celebrado por muitos fãs de literatura beat, como eu.

3 – Qual sua banda, cantor ou cantora preferido em todos os tempos?
- Beatles é hour concours. Então fico com Chico Buarque como cantor, Pixies como banda e Patti Smith como cantora. Se você me perguntar amanhã já mudo tudo.

4 – Qual o melhor disco já gravado na música brasileira?- “Construção”, de Chico Buarque.

5 – E um artista que poucos conhecem e você indica?- Walter Franco, principalmente por seu disco “Revolver” de 1975.

6 – Qual música você gostaria de ter composto?
- Qualquer uma de John Lennon, Chico Buarque ou Miles Davis.

7 – Qual diretor de cinema te leva ao cinema em qualquer situação assim que o filme é lançado?- Hoje, Quentin Tarantino e Woody Allen. Mas se tivesse 90 anos de idade poderia ter respondido Charles Chaplin, Alfred Hitchcock e alguns outros.

8 – Cite um filme péssimo, mas que você gosta?- Gosta de uns terrorzão trash e dou bastante risada com besteirol mais antigos, tipo “Top Gang” e “Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu!”.

9 – Qual trilha de cinema te faz chorar?- Não sei se chega a fazer chorar, mas a de “Cinema Paradiso”, do Ennio Morricone, é uma obra de arte. Linda, linda...

10 – Qual a atriz ou ator mais belo da história do cinema?- Vou escolher uma que acho linda e que não faz parte do rol de divas da sétima arte: Elisabeth Shue. Em dois minutos, já devo mudar de opinião e escolher outra.

Motivos para odiar o cinema 3D

O cinema 3D casou com o futuro e parece que não há como separá-los. Mas nem todo mundo está contente com essa nova notícia. O crítico de cinema Roger Ebert, da conceituado revista Newsweek, listou vários motivos para você odiar a nova tecnologia. Ricardo Calilu, crítico de cinema aqui do Brasil, gostou da ideia e traduziu para o português os motivos alegados por Ebert.


Vê se você concorda:

1) Desperdiça uma dimensão.
2) Não acrescenta nada à experiência de ver filmes.
3) Pode ser dispersivo.
4) Pode causar náusea e dor de cabeça.
5) Você já percebeu que o 3D parece um pouco escuro?
6) Vão fazer uma boa grana vendendo novos projetores digitais.
7) As salas de cinema cobram uma taxa extra pelo 3D.
8 ) Eu não consigo imaginar um drama série, como Amor sem Escalas ou Guerra ao Terror em 3D.
9) Sempre que Hollywood se sente ameaçada, ela recorre à tecnologia: som, cor, widescreen, cinerama, 3D, som estéreo e, agora, 3D de novo.

5.30.2010

Querido e louco Dennis Hopper



Apenas hoje fiquei sabendo da morte de Dennis Hopper, uma das figuras mais controversas e fascinantes da história do cinema. Selvagem e indomável, Hopper deu muita dor de cabeça a quem com ele contracenou, mas deixou para a posteridade cenas capitais da sétima arte, como essa que tirei do filme "Blue Velvet", de David Lynch. O psicopata vivido por ele, era quase que um alter-ego, e tão cheio de camadas e força quanto o próprio diretor, ator e gênio.
No cinema atual, onde roteiros e filmagens são tratados de maneira cirúrgica e atenção extrema para ser amado sem surpreender ou incomodar, a morte de Hopper é uma tragédia ainda maior. Imagina ele fazendo o mesmo que fez em "Sem Destino": Sair pelo Estados Unidos tomando drogas, criando o roteiro na hora e depois editando à sua maneira - inconsequente.

5.25.2010

Radiola 57

Nem bem coloquei a edição anterior do Radiola, e já volto com a edição desta semana, que traz um clássico raro do Deep Purple, um bloco destacando as atrações que passaram pela Virada Cultural Paulista e outro frisando artistas que irritados com a forma com que eram tratados pelas gravadoras, resolveram abrir seus próprios selos.
Nos blocos de lançamentos, o recém lançados discos do cantor Nasi e do cantor canadense Rufus Wainwright, além de discos não lançados de Erasmo Carlos e Jards Macalé, ufa! É música que não acaba mais. E tudo coisa de primeira, garanto.

Clássico da Semana
1 - Deep Purple - "Freedom" (1971)

Bloco 1 (Virada Cultural)
1 - Cat Power - "New York"
2 - Mudhoney - "I´m Now"
3 - Ultraje a Rigor - "Eu me Amo"

Bloco 2 ( selos independentes)
1 - Dead Kennedys - "Let´s Lynch the Landlord"
2 - Fugazi - "Cassavetes"
3 - Beasties Boys - "Gratitude"

Não lançamento
1 - Erasmo Carlos - "De Noite na Cama" (disco Carlos, Erasmo - 1971)
2 - Jards Macalé e Naná Vasconcelos - "Pano para Manga" (disco Let´s Play That- 1983)

Lançamentos 1
1 - Rufus Wainwright - "Give me What I Want" (disco: All Days Are Night: Songs for Lulu)
2 - Gorillaz - Stylo (disco: Plastic Beach)

Lançamentos 2
1 - Nasi - "Bala com Bala" (disco: Vivo na Cena)

BG: Tres Hombres - ZZ Top

Link:
http://www.liberal.com.br/cadernos/podcast_ver.asp?c=02F0C950455

O comercial da Nike



O diretor mexicano Alejandro Iñárritu é responsavel por alguns dos melhores filmes dos últimos dez anos ("Amores Brutos", "21 Gramas", "Babel") e foi o convidado para dirigir esse impressionante comercial para a Nike na Copa do Mundo, que conta com as participações de, desculpe o trocadilho, um time de estrelas. Tem Cristiano Ronaldo, Wayne Rooney, Fabio Cannavaro, Ronaldinho Gaúcho, além do jogador de basquete Kobe Bryant, do tenista Roger Federer e do ator mexicano Gael García Bernal, além do Homer Simpson.É uma super produção em três minutos.
E o mais interessante, é que mesmo sendo um filme publicitário traz em sua ideia de mostrar como uma simples jogada no futebol pode mudar uma vida toda uma filosofia que permeia a obra de Alejandro Iñárritu, onde pequenos acontecimentos geram grandes conflitos humanos e políticos.

5.24.2010

Radiola 56

De volta, meio atrasado com as atualizações do Radiola, mas de volta. Neste programa toca um clássico do mestre Jorge Ben, enveredo por bandas obscuras dos anos 60, passeio pela Irlanda e desaguo nos novos trabalhos de Black Keys (foto), MGMT e ainda sobra espaço para uma bela homenagem ao cantor e compositor brasileiro Sérgio Sampaio, através da banda Juliano Gauche e Duo Zebedeu. Nos próximos dias coloco aqui a edição 57, que já está no ar.





Clássico da Semana
1 - Jorge Ben - "O Telefone Tocou Novamente" (1970)

Bloco 1 (Artistas irlandeses)
1 - Van Morrison - "Moondance"
2 - The Undertones - "Teenage Kicks"
3 - Shane Mcgowan e Sinéad O´Connor - "Haunted"

Bloco 2 (Obscuridades dos anos 60)
1 - The Zombies - "I´ll Call You Mine"
2 - The Left Bank - "Walk Away Renne"
3 - Os Brazões - "Feitiço"

Não lançamentos
1 - Statler Brothers - "Flowers on the Wall" (1966)
2 - Alex Chilton - "Sugar, Sugar/ I Got the Felling" (1970)

Lançamentos 1
1 - MGMT - "It´s Working" (disco: Congratulation)
2 - Black Keys - "Ten Cent Pistol" (disco: Brothers)

Lançamentos 2
1 - Juliano Gacuhe e Duo Zebedeu - "Polícia, Cachorro, Bandido, Dentista",
"Em Nome de Deus" (Hoje Não")

BG - Vince Guaraldi (1928-1976) - "Charle´s Brown Suite"

O final de "Lost"

Discussões de qualidade, gostos ou interesses à parte, o seriado “Lost”, que terminou no último domingo nos Estados Unidos é o melhor retrato do século 21 e da maneira como consumimos cultura neste período que alguns já chamam de pós-digital.
Seus capítulos foram o melhor exemplo da chamada e tão pouco explicada era globalizada, pois suas centenas de episódios foram sendo consumidos via internet em todo o planeta ao mesmo tempo em que eram exibidas na TV americana – às vezes, os episódios vazavam até antes, inacabados, para alegria dos fãs.
Uma comparação que dá a medida de mudanças no consumo cultural do novo século pode ser nos dados através da série “Twin Peaks”, de David Lynch, uma espécie de pai dos atuais seriados. Eu ainda era bem garoto, mas lia com atenção todas as informações envolvendo a série, lançada na TV americana em 1989. Um ano depois, em 1990, a rede Globo comprou os direitos de exibição da obra e a passou completamente editada em horários mortos após o “Fantástico”. Tão complexa quanto “Lost”, os expectadores brasileiros ficaram completamente perdido na trama que perguntava: “Quem matou Laura Palmer?”.
Passados mais vários meses, algumas locadoras paulistanas começaram a alugar o seriado na íntegra, gravado em fitas VHS sem legendas, o que somada à qualidade das várias e várias cópias feitas de uma mesma matriz a tornavam impossíveis de serem assistidas.
De volta a 2010. “Lost” é a derrubada de barreiras. Um clássico da história da nossa TV, que por anos será lembrada por ser o início de uma nova era, seja essa era o que for.
Nesta semana, o roteirista Di Moretti, escreveu um artigo no jornal O Estado de SP criticando o excesso de clichês da série. “Dá para dizer que esta história chegou até aqui sem usar uma lógica cartesiana”, destacou.
Ele não está de todo errado. Realmente os roteiristas de “Lost” esticaram a série mais do que deviam e muitas vezes abusaram da nossa paciência. Mas isso é secundário. No futuro, talvez nossos netos olharão para “Lost” como um novo momento do relacionamento cultura/ telespectadores.
Há alguns poucos anos assisti ao filme “O Cantor de Jazz” (1927), o primeiro filme falado da história do cinema. O achei bem meia boca. Mas isso é secundário, o importante é saber que depois dele, nada mais foi como era. Eu também parei na terceira temporada de “Lost”. A falta de tempo e de paciência me impediu de chegar até essa sétima temporada. Não importa. O seriado faz parte do meu tempo e vai ditar meu futuro. Talvez eu esteja exagerando? Vamos esperar para ver...

5.13.2010

Mestre Berry



Nesta quinta-feira Chuck Berry toca em São Paulo. Aos 83 anos o velhinho está sempre por aqui, mostrando quase que o mesmo show todos os anos. Mas não importa. Assim como BB King, sua imensa figura artistica e seu passado faz detalhes como "auge artístico" ficar menor. Todos vão ao show para vê-lo, mais do que para ouvi-lo. O que não quer dizer que essa segunda opção não seja também muito agradável. Acima um video do senhor Berry tocando com um de seus maiores fãs, John Lennon. Longa vida ao mestre!

5.12.2010

Eu em Paraty



Infelizmente nunca fui à Flip, a mais famosa feira literaria do Brasil. Mas neste ano não terá desculpa. Ainda mais com as confirmações das vindas de Robert Crumb e Lou Reed. Delicioso golpe baixo.

Era de gigantes


Nesta semana, foi bastante lembrado o aniversário de 30 anos de morte do cineasta inglês Alfred Hitchcock, que faleceu no dia 29 de abril de 1980. Meu filme preferido do cineasta é “Festim Diabólico” (1948). Como se fosse num teatro, todo o longa metragem é filmado em dois takes, num plano seqüência que prende quem está assistindo com uma genial história de assassinato.
Filmes como esse, são cada vez mais raros atualmente. E o problema nem é qualidade artística, e sim econômica.
Explico: Filme é um investimento arriscado, seja aqui no nosso modesto cinema nacional ou lá na poderosa Hollywood. O projeto e os gastos começam hoje e só vão dar lucro daqui há uns três anos quando a obra já estiver no mercado, sendo assistida nas salas de todo o mundo.
Um filme barato sai aí uns R$ 10 milhões. O que, vamos e convenhamos, não é grana de pinga. Agora pergunto: E o risco desse filme não dar bilheteria? Ou ainda: E se o lucro não cobrir todas as despesas?
A solução tem sido inteligente do ponto de vista econômico. Ao invés de parar de fazer filmes, a saída é colocar ainda mais dinheiro nesses projetos, gastar milhões em publicidade. Já que existe pirataria, internet, hackers espalhando arquivos por aí, cada filme tem que ser tão mega e grandioso que mesmo com os prejuízos causados pelas novas relações consumidor/produto ele renda milhões aos seus investidores.
“Avatar” é um exemplo. O filme é o mais pirateado da história da internet, mesmo assim James Cameron e os produtores do filme já ganharam tanto dinheiro que já podem se aposentar, comprar uma ilha e viver de juros.
No Brasil, os longa metragens de Daniel Filho são os mais vistos dos últimos anos. Ele é um grande cineasta? Não, mas sabe como poucos unir promoção, boas histórias, roteiro que agrada a todos (“Chico Xavier” é um ótimo exemplo) e linkar tudo isso a um esquema de une rede Globo, redes de cinemas e a classe média, que hoje é quem paga ingressos de cinema.
Na música, Lady Gaga segue a mesma receita, traduzida para o universo das gravadoras. Tudo nela é pensado de maneira cirurgia. Seu contrato, permite que a gravadora invista nela em várias frentes (shows, CDs, publicidade, roupas, direitos sobre músicas) e depois receba de volta. É algo inédito na história da música, um produto modelo para os astros do século 21.
Vamos viver em uma terra de gigantes, numa mentalidade com mania de grandeza. A arte que em sua essência era um olhar para dentro, um comentário saído da alma corre o risco de aos poucos ir se tornando mais e mais deslumbrante na mesma medida que ficará oco.
A solução? Por enquanto temos como “A 4ª Mostra de Cenas Curtas”, que acontece neste final de semana aqui em Americana. A maioria dos espetáculos são de textos introspectivos, pequenos diante da parafernália de outras mega produções que serve para muitas vezes desviar a atenção da inocuidade de seus textos ao pensamento de seu interlocutor.
Como já disse aqui. não sou de ficar lamentando o presente e comparando-o com o passado, mas viver nesses tempos de gigantes vai ser um saco.

Enfim, de volta!



Olá, queridos leitores! Após mais de uma semana com problemas no blog estou de volta. Espero que tenham sentido (pelo menos um pouquinho) saudade. Os novos posts começam imediatamente.
Editor
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PerfilLuciano Assis
Luciano Assis, 32, é repórter do Caderno L do jornal LIBERAL, onde escreve diariamente sobre música, literatura, cinema, teatro e artes plásticas. É também o responsável pela coluna “Entrelinhas”, publicada na edição de domingo do jornal, onde analisa assuntos culturais que foram notícia no decorrer da semana.
Perfíl do Blog
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O Blog Entrelinhas é uma extensão do Caderno L do LIBERAL, e tem como meta informar, comentar e analisar aspectos relevantes da Cultura local, nacional e internacional de forma ágil e interativa com seus leitores, criando uma rede de discussão acerca do mundo dos espetáculos.

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