Desculpa a demora, mas para àqueles que reclamaram e cobraram aqui está o set list da edição 55 do Radiola. O programa começa com o grande bluesman albino Johnny Winter, que esteve no Brasil se apresentando na última semana. Uma vez vi o cara em uma cidadezinha de 8 mil habitantes na França e até hoje considero um dos melhores shows que vi na vida. Então, parabéns a quem foi ou ao menos cogitou ver o cara nesta passagem pelo Brasil. Nos blocos temáticos, uma homenagem à obra "Alice no País das Maravilhas", do escritor Lewis Carroll através de artistas como Pink Floyd, Jefferson Airplane e Alice Cooper. Também tem um bloco com artistas que saíram do armário, como Rick Martin: Renato Russo, Michael Stipe e Bob Mould. Nas sessões de lançamentos, os novos trabalhos de LCD Soundsystem (foto), Scissors Sisters e nosso Tom Zé, sempre inventivo e surpreendente.
Clássico da semana Johnny Winter - "I Can´t Believe You Want to Leave"
Bloco 1 (tema: "Alice no País das Maravilhas") 1 - Pink Floyd - "Lucifer Sam" 2 - Jefferson Airplane - "White Rabbit" 3 - Alice Cooper - "Dead Babies"
Bloco 2 1 - Legião Urbana - "A Tempestade" 2 - REM - "Circus Envy" 3 - Husker Du - "Pink Turn to Blue"
Lançamentos 1 1 - Scissors Sisters - Faixa ainda sem nome - (disco: Night Work) 2 - LCD Soundsystem - "Drunk Girls" (disco: This is Happening)
Lançamentos 2
1 - Tom Zé - "Nave Maria" (disco: "O Pirulito da Ciência")
BG - "Guru: Jazzmatazz: An Experimental fusion of hio-hop and jazz" (homenagem ao músico Guru, que morreu de câncer aos 43 anos na última semana)
Link http://www.liberal.com.br/cadernos/podcast_ver.asp?c=02F0C950455
Há 30 anos morria Alfred Hitckcock, o diretor que melhor soube trabalhar o medo e a ansiedade do espectador na história do cinema. O inglês via o cinema como a arte de contar uma boa história, talvez por isso fosse tão pouco interessado à experimentalismos que marcaram cineastas a partir dos anos 60. Uma boa inrodução à vida do diretor é o livro Alfred Hitchcock e suas atrizes (Larousse, 318 pgs, R$ 59,90) de Donald Spoto, um especialista que já escreveu outros dois livros sobre o cineasta. Nele, o escritor relata a obsessão que Hitchcock tinha por belas mulheres, num desfile de beldades: Ingrid Bergman, Marlene Dietrich, Grace Kelly, Doris Day, Vera Miles, Kim Novak e Janet Leigh. Aproveitando a data redonda, aproveito para lembrar que seu maior clássico, "Psicose" (1960)também aniversaria em 2010. Está fazendo 50 anos.
Se você não está passando esse final de semana em marte ou em Júpiter, com certeza já deve ter ouvido falar muito de “Alice no País das Maravilhas”, a versão século 21 do clássico literário homônimo do escritor inglês Lewis Carroll (1832-1898). O filme é dirigido por Tim Burton (“Edwards Mãos de Tesoura”, “Big Fish”), e sinceramente é impossível pensar em um nome melhor para passar para a grande tela todo o ambiente de sonho/pesadelo/delírio que em 1865 causou tanto amor e indignação na sociedade britânica. Parece que a crítica não vem mostrando grande entusiasmo em relação ao filme. Normal. Sempre que um longa metragem sobre a menina que se perde em um mundo paralelo chega, logo acaba ganhando comparações com o livro ou sendo acusado de não conter a mesma gama de ironia e nonsense das páginas originais. Todos os significados e significâncias do livro ainda hoje é um enigma para simples leitores e especialistas. Nunca ninguém conseguiu desvendar o que o escritor Lewis Caroll tentou “passar” com essa obra. Várias teorias e boatos já foram levados aos quatro ventos. Que ele escreveu o livro completamente drogado, que o livro é cheio de referências pedófilas, que somente crianças podem entendê-lo, mesmo ele sendo tudo, menos um livro infantil. A verdade é que mais profundo e enigmático que o livro “Alice no País das Maravilhas” é o autor que a criou. Charles Lutwidge Dodgson (o nome verdadeiro de Lewis Carroll), era um simples e dedicado professor de matemática da Universidade de Oxford na Inglaterra. Terceira filho de um pastor anglicano, ele nunca se casou, era anti-social e não tinha amigos. Sua convivencia se limitava à conversas com crianças – meninas por volta dos dez anos, em sua maioria. Um estranho hábito de fotográfa-las nuas ainda lhe render várias acusações na época e a eterna fama de pedófilo. A Alice verdadeira, que deu origem à personagem do livro, por exemplo, foi eternizada numa foto de Carroll. Mas acusações e estranhesas à parte, a verdade é que Lewis Carroll, um homem fechado e aparentemente de natureza religiosa e moralista, criou um dos caminhos mais subversivos da literatura. “Nos livros dele, fatos psicológicos eram tratados como objetivos”, explicou Florense Becker Lennon, autor da melhor biografia sobre o escritor. Cacos do estrago provocado por ele podem ser sentidos até os dias atuais. Psicodelismo inicial da banda Pink Floyd, a obra do pintor Salvador Dalí e até mesmo o cinema de Tim Burton estão aí para não me deixar mentir. Para se ter uma ideia do nível de gama de significados do livro, basta a informação sobre o nome do personagem “O Chapeleiro Maluco”, personagem do ator Johnny Deep, no novo filme recém estreado. Trata-se de uma expressão inglesa do século 19 (“The Mad Hatter”), que vem da frase “To be mad as a hatter” (“tão louco quanto um chapeleiro). A ideia da época era que todos os chapeleiros ficavam loucos e delirantes por causa do mercúrio usado na coloração dos chapéus.
Nesta sexta-feira estreia no Brasil o mais que esperado "Alice no País das Maravilhas", do diretor americano Tim Burton. Uma curiosidade aos fãs da obra do escritor Lewis Carrol é essa versão para o cinema de 1903 (!) recém restaurada e postada na internet. São pouco mais de oito minutos que demonstram mais familiaridade com o livro original do que a atual versão “Timburtiana”.
Aos 73 anos o cantor e compositor Tom Zé poderia ter uma fotos sua ilustrando de maneira sintética a expressão “surpreendente”. Na arte e na vida, ele está há mais de sete décadas remando contra a maré do óbvio. Nascido em um minúsculo município do estado da Bahia, Irará, conseguiu se tornar um dos artistas mais sofisticados do Brasil, mesmo ganhando reconhecimento no exterior antes de ser apreciados em seu próprio país. Parte desses momentos de alto e baixo de sua vida artística é revista no CD e DVD ao vivo "O Pirulito da Ciência", que acaba de chegar às lojas. Produzido pelo ex-baterista dos Titãs, Charles Gavin, o disco perpassa a discografia do “father of inventions” (“pai da invenção”), como recentemente foi chamado por um crítico americano, que o comparou a Frank Zappa, iconoclasta músico do século 20, e cuja banda se chamava “The Mothers of Invensions” (Mães da Invensão”). “Minha carreira é feita sob minha inabilidade em fazer música no enquadramento convencional. Fui aprendendo a trabalhar no limite entre o som e o ruído”, explicou Tom Zé, em entrevista ao jornal O Liberal, na última semana. O bate papo aconteceu um dia antes do artista chegar em Campinas, onde fez um dos primeiros shows da turnê que leva o mesmo nome do CD. “Esse trabalho que neste ano deve viajar pelo Brasil é culpa e Gavin. Foi ele que me convenceu a fazer essa retrospectiva e correu atrás de tudo. É uma pessoa incansável a quem eu devo o resultado desse trabalho”, elogiou o cantor. Na revolução tropicalista dos anos 60, o atual establishment da MPB (Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, etc) apareceu misturando cancioneiro popular, rock, pop e samba. Tom Zé, o mais velho da turma, chegou a ter sucesso popular com a canção “São São Paulo”, ganhadora do 4º Festival Record de MPB, de 1968. Mas o sucesso inicial não se manteve pela década seguinte, como ocorreu com seus outros parceiros. A insistência em se reinventar a cada nova ação musical afastou público, jornais, fãs, rádios, TVs. “Neste período de baixa eu ia muito ai para o interior. Eu, minha Brasília e o violão. Os próprios centros acadêmicos das faculdades é que me chamavam”, lembrou Tom Zé. Tal limbo durou até o começo dos anos 90, quando o badalado David Byrne, recém saída da banda Talking Heads, veio ao Brasil e se encantou com o disco “Estudando o Samba” (1975). O brasileiro foi chamado para gravar nos Estados Unidos e o disco “Hips of Tradition” foi elevado às nuvens por críticos de jornais e revistas culturais como The New York Times, Spin, Rolling Stone e Los Angeles Times.
Futebol
Todos esses momentos estão presentes em “O Pirulito da Ciência”, cuja titulo é retirado de um verso da música “Fliperama” (1992): “O louco comandante Flip/ Com a sua moedinha/ quer fazer uma guerra na Terra/ Oferece um caminhão e o seu cinturão/ Que para a batalha não falha/ E no quarto faz com ela/ A terceira arruela/ Do amor que tem a violência/ Com o pirulito da ciência”. Mas não soa estranho um artista que sempre olhou para a sempre, olhar para trás numa obra revisionista? “Eu sempre olhei para trás. Quando ninguém mais usava badolins na música brasileiro eu me lembrei daquelas maravilhosas gravações do final do anos 50 de Jacob do Bandolim e fiz muitas músicas no começo da minha carreira. Só é a primeira vez que eu olho para mim mesmo, para meu próprio umbigo”, comentou. Entre outros assuntos que dominaram a entrevista: o fim do formato canção, o medo de subir ao palco, etc, o cantor mostrou apreço e atenção para assuntos daqui de Americana. “Fiquei triste com a queda do time do Rio Branco. Vi os primeiros jogos da equipe e gostei muito daquele meia, o Romarinho e do goleiro de você. É um menino muito bom. Sinceramente torci para o time se safar o rebaixamento”, contou o cantor, antes de elogiar o atual time do Santos. “Na minha idade achei que nunca fosse mais ver um time desse jogar”, exaltou. Tom Zé é realmente uma figura surpreendente.
Os novos discos do veterano guitarrista Jeff Beck, um dos heróis da guitarra do Reino Unido é o principal lançamentos desta semana do programa que chega a sua edição 54. Além dele, marcam presença no programa os novos trabalhos de Ray Charles, que tem um shows gravado em 2000 lançado pela primeira vez em CD e um passeia pela música latina, além de lembrar de compactos clássicos de bandas como The Beatles, The Smiths e New Order.
Clássico da Semana 1 - Placebo - "Every You, Every Me"
Bloco 1 (Artistas latinos) 1 - Café Tacuba - "No me Compreendes" 2 - Fito Paez - "Un Amot y un Vestido" 3 - Brujeria - "El Patron"
Bloco 2 (compactos clássicos) 1 - The Beatles - Lady Madonna" 2 - The Smiths - "Shakespeare´s Sister" 3 - New Order - "Blue Monday"
Lançamentos 1 1 - Jakob Dylan - "Stading Eight Count" (disco: Women + Country) 2 - Black Rebel Motorcycle Club - "Beat the Devil" (disco: Beat the Devil Tatoo)
Lançamento 2 1 - Sharon Jones and the Dap-Kings - "She Ain´t Child no More" (I Learned the Hard Day) 2 - Ray Charles - "What'I Say" (Live At Olympia)
Lançamento da semana 1 - Jeff Beck - "I Put a Spell on You" (Emotion and Commotion)
BG - Todo o disco "Play", do DJ Moby, que faz show nesta semana no Brasil
A matéria de capa deste domingo do jornal LIBERAL mostra em números um problema que muita gente vem comentando em rodas de amigos, nas praças, nos botecos e vendo o “Zorra Total”: A queda vertiginosa de agitação cultural no município. De quem é a culpa por isso? Minha, sua, do seu vizinho e, claro, do poder público. Muitas vezes, o papel do poder público mais do que fazer algo é não atrapalhar quem faz. Em Piracicaba é assim. Lá, as atividades culturais, talvez por se tratar de uma região com muitos estudantes, bares e casas de shows de pequeno porte, enche os dias de quem gosta de cultura e “coisas para fazer”, como diz no popular. Fora isso, os ótimos equipamentos de posse do poder público (Engenho Central, Teatro Municipal, etc) estão sempre recebendo atrações de peso. Fora que eles têm um SESC, uma das salvações da cultura brasileira, diga-se de passagem. Em Americana é diferente, as leis de silêncio altamente rigorosas provocaram um êxodo de artistas para outras cidades, fechamento de casas noturnas e inibição de movimentação de grupos artísticos. A soma de todos esses fatores provocados tanto pela pressão de moradores quanto pelos nossos políticos deram tranqüilidade aos bairros – o que é ótimo e civilizado-, mas tiveram como efeito colateral a concentração de atividades de cultura nas mãos da Secretaria de Cultura, que agora nos deixa na mão. Há uns 12 ou 13 anos, saí de São Paulo numa quinta-feira para vir até aqui ver um show de uma obscura banda americana chamada The Man Or Astro Man (alguém aí se lembra desses caras ou desse show?). Fiquei pensando como uma banda tão pequena, até mesmo dentro dos Estados Unidos, vinha tocar aqui e não em tantos outros municípios do Estado. Saí daqui positivamente impressionado. Hoje, se eu formar uma banda – fiquem calmos, é só um exemplo – não terei onde me apresentar. Jovens do movimento hip hop treinam em praças públicas, mesmo com a cidade tendo um Centro de Cultura de R$ 3 milhões servindo para caminhada e enfeite da Avenida Brasil. Como já disse aqui uma vez, vários salões, árvores, pistas e áreas e salas vazias não se configura num Centro Cultural. Mais do que um problema presente, tal marasmo e inércia é um triste vislumbramento de um futuro nada bom. Uma cidade de 200 mil habitantes sem cinema ou livrarias é um sinal que devia ser melhor analisado. Quem sair por último que apague a luz.
Tô um pouco atrasado, mas ainda é tempo de lembrar uma das canções mais pessoais de Roberto Carlos, feita em homenagem à mãe que faleceu no último sábado e será enterrada logo mais. Apesar de não ser artista, Laura foi uma das principais incentivadoras da carreira do Rei.
Sou sempre o primeiro a defender os tempos em que vivemos. Mais: Sou da opinião anti-nostálgica de que a humanidade só melhora com o passar dos anos. Desculpe os românticos, hippies ou desprendidos, mas não consigo vislumbrar minha existência sem eletricidade, carro, telefone, internet, etc. Como diz Gilberto Gil na música “Parabólicamará”: “Antes Mundo era Pequeno/ Porque Terra era Grande/ Hoje Mundo é muito grande/ Porque Terra é Pequena”. Tá bom, concordo que nossas cidade andam muito violentas, mas prefiro tomar mais cuidado ao entrar em casa do que ser acordado pela inquisição ou pelo militares em algum regime de exceção. Isso para não citar o perigo de ser crucificado por um mal entendido. Mas opiniões particulares à parte, concordo com os detratores dos nossos tempos quando acusam as novas gerações de apatia. Nisso não há contra opinião da minha parte. Os jovens andam cada vez mais sem ideologias românticas (ideologias não devem fazer sentido, têm apenas que existir por poesia). Ás vezes penso que tanta informação causa um desfocamento de opiniões. É como se à medida que o mundo vai ficando mais complexo, as idéias tomam direção contrária e se tornam mais simplistas. Há poucos anos vi um padre na TV falando da importância de se cuidar de menores infratores ao invés de debater diminuição de da idade penal, que sai mais cara e é ineficiente sem um trabalho social de base. Era algo meio óbvio, mas que não vale nada reforçar. O coitado do religioso foi atacado com ódio fascista pela platéia de jovens, claramente defensores de violência para combater a violência. Até pena de morte entrou no debate. Sempre aceitei que o cinismo para com o próximo fosse um sintoma adulto, de gente cansada de brigar contra o sistema e mais preocupada com o micro (casa, família, carro, etc) do que com o macro (mudar o mundo, igualdade e outras coisas de que não me lembro mais, já que não sou tão criança). Mas pensando bem talvez essa atitude seja um efeito colateral dos nossos tempos. Hoje, informação vem fácil. Como já contei aqui, não sou tão velho, mas lembro que no meu tempo era um trabalho de Hércules conseguir um disco de uma banda badalada da cena underground inglesa ou americana. Ouvíamos falar de filmes de David Lynch, David Cronenberg ou Roman Polanski e demorávamos anos para ver. Até os clássicos (Chaplin, Fellini, Bañuel) eram difíceis. Como diz meu avô, conforto demais gera preguiça. É um estado natural. É claro que seria burrice generalizar aqui uma categoria. Existe marasmo cerebral em jovens, adultos e velhos. Mas mantenho um estranho incômodo para com a juventude do século 21. Só espero que minhas lamentações não sejam nostalgias. Esses sentimentos às vezes pegam a gente despercebidos.
Acabei de ler em um site que hoje é o "Dia Mundial do Beijo". Não sei qual a razão de um dia mundial para isso, mas achei uma ótima oportunidade de lembrar essa linda cena de Burt Lancaster and Deborah Kerr no filme "From Here To Eternity" (acho que no Brasil se chamou "A Um Passo da Eternidade") de 1953. Foi o primeiro beijo (digo, beijo mesmo, de lingua, demorado) da história do cinema.
O projeto em homenagem ao pop italiano dos anos 1950 e 60 comandado pelo cantor Mike Patton é o destaque desta semana do Radiola. Pilotado por um dos artistas mais prolixo dos nossos tempos, o projeto, chamado Mondo Cane nasceu há dois anos e finalmente ganha uma versão em estúdio após elogiadas apresentações na velha bota. Mas o programa ainda traz artistas como Buddy Guy, Sérgio Sampaio, Nancy Sinatra, Marcos Valle e Neil Young.
Clássico da semana 1 - Marcos Valle - "Próton, Elétron, Neutron"
Bloco 1 1 - Buddy Guy and Junior Wells - "Bad Whisky" 2 - Harry Nilson - "Don´t Forget Me" 3 - Sérgio Sampaio - "Pobre Meu Pai"
Bloco 2 1 - Nancy Sinatra - "Let Me Kiss You" 2 - Charllote Gainsbourg - "Heaven Can Wait" 3 - Jeff Buckley - "Corpus Christ Carol"
Lançamentos 1 - Neil Young - "Harvest Moon" (disco: Dreamin Man Live 92) 2 - Chris Isaak - "Baby Did a Bad Thing" (The Best Of)
Lançamentos da Semana 1 - Mike Patton - Ore D´Amore (Disco: Mondo Cane)
BG - The Brian Setzer Orchestra - "Wolfgang Big Night Out"
Link http://www.liberal.com.br/cadernos/podcast_ver.asp?c=02F0C950455
Os integrantes da banda Supergrass anunciaram nesta segunda-feira que o grupo está deixando de existir. Uma pena, eram os melhores daquela geração brit-pop dos anos 90, mesmo não tendo o reconhecimento que mereciam. Talvez daqui uns 20 anos surja um grupo de jovens nostálgicos daquilo que não viveram e digam que "bom mesmo era no passado quando existia o Supergrass", como acontece hoje em relação a outros artistas.
Lembro como se fosse hoje. Eu passava em frente à TV e uma chamada de um telejornal qualquer dava a notícia: "O cantor americano Kurt Cobain, na banda Nirvana, comete suicidio nos Estados Unidos". Foi um choque, já que para um garoto de 15/16 anos que estava plenamente integrado à música e às novidades vindas de todo o mundo o Nirvana era o centro do furacão. Durante muito tempo ser underground ou mainstream era algo muito importante. Não era possível curtir Guns´n´Roses andando cercado de seguranças, modelos, groupies e dando porradas em fãs e ao mesmo tempo admirar Kurt Cobain por sua atitude "anti-sistema" e anti-sucesso. E eu estava ao lado de Cobain. Ao invés uma estrela do pop cercada de luxos, hoteis, glamour e fortunas, ele era simplemente um fã de música. O bradava aos quatro ventos como odiava gente como Madonna, Michael Jackson, Axl Rose e outros figurões. Falava na lata, para quem quisesse ouvir e gravar. Hoje, com as coisas bem mais complexas e astros e fãs domados e mais preocupados com a estética do que com música, Kurt faz uma falta danada. O video acima capta um ensaio do Nirvana (eles estão com os instrumentos trocados) feito no Brasil, em janeiro de 1993, pouco mais de um ano antes do fatídico tiro na cabeça que o levou no dia 5 de abril de 1994.
Luciano Assis, 32, é repórter do Caderno L do jornal LIBERAL, onde escreve diariamente sobre música, literatura, cinema, teatro e artes plásticas. É também o responsável pela coluna “Entrelinhas”, publicada na edição de domingo do jornal, onde analisa assuntos culturais que foram notícia no decorrer da semana.
O Blog Entrelinhas é uma extensão do Caderno L do LIBERAL, e tem como meta informar, comentar e analisar aspectos relevantes da Cultura local, nacional e internacional de forma ágil e interativa com seus leitores, criando uma rede de discussão acerca do mundo dos espetáculos.