7.05.2010

Seu Madruga


Sempre me impressionaram fenômenos que surgem nas entranhas da sociedade, aqueles que vão sendo fomentados à margem dos grandes meios de comunicações até que um dia são descobertos (ou não) pelo Domingão do Faustão.
Poderia dar muitos exemplos aqui, do hip hop ao pagode, que antes de virarem trilha sonora de filhos da classe média que anda de carro do ano emprestados dos pais, eram ouvidos das periferias dos grandes centros.
Quer outro exemplo? O personagem Seu Madruga, do seriado “Chaves”, que passou a ser exibido no Brasil lá no meio dos anos 1980. O enlatado mexicano virou febre desde sua primeira exibição. Também pudera, até hoje é difícil não rir com aquelas piadas ao mesmo tempo batidas, mas naturais saídas das falas do Quico, Chiquinha, Dona Florinda, etc.
Mas o único que foi elevado ao status de ícone foi o Seu Madruga, uma criação do ator Ramón Valdés, que por uma coincidência mórbida faleceu na mesma época que “Chaves” começava a ser exibido aqui pela então iniciante emissora de Silvio Santos.
Mas por que dei para falar do Seu Madruga aqui neste espaço? É que de maneira tímida, o mercado editorial brasileiro vem assistindo a um fenômeno nos últimos dois meses. É que o livro “Seu Madruga – Vila e Obra” (Editora Mirabolante), do jornalista Pablo Kaschner está a oito semanas liderando o pódio das biografias mais vendidas do país. São dois meses, um número invejável para qualquer livro no Brasil, um país que, dizem, não é muito afeita à leitura.
No livro, o autor relata através de 14 capítulos (o número de meses que o personagem deve de aluguel ao credor Seu Barriga) a saga do ator na criação e desenvolvimento do mais brasileiro dos mexicanos. Isso. Brasileiro. Esse é o segredo do sucesso de Seu Madruga aqui. Sua capacidade de improvisação, seu humor em meio à desgraça e sua esperteza é o principal motivo para ter se tornado tão querido.
E no geral, o seriado “Chaves” tem tantos fãs até hoje porque era o mais natural dos programas infantis de sua época. Quando Xuxas e Angélicas pintavam um mundo de faz de conta na TV, era no “Chaves” que todos víamos aquela “maldade” esperta que existe em cada criança. Seus personagens respondiam pais e amigos como um tiro certeiro, e quem um dia foi criança admira isso. Nada mais natural que hoje, Seu Madruga e companhia, sejam adorados.

1 Comentários:

Anonymous Mariane Mirandola disse...

O humor muitas vezes é visto pelo lado vulgar. Pessoas parecem estar cada vez mais vendadas apenas na diversão sem informação. Quando o assunto é referente a questoes socio politicas por exemplo, muitas vezes a conversa torna-se monótona, desentiteressanta ao público. Chaves por sua vez consegue transmitir de forma nocente um humpr relevante e com grande crítica social...

Parabens Luciano, admiro seu trabalho e sempre que posso acompanho suas publicações.

Mariane

8 de julho de 2010 11:33  

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

<< Início

Editor
linha
PerfilLuciano Assis
Luciano Assis, 32, é repórter do Caderno L do jornal LIBERAL, onde escreve diariamente sobre música, literatura, cinema, teatro e artes plásticas. É também o responsável pela coluna “Entrelinhas”, publicada na edição de domingo do jornal, onde analisa assuntos culturais que foram notícia no decorrer da semana.
Perfíl do Blog
linha
O Blog Entrelinhas é uma extensão do Caderno L do LIBERAL, e tem como meta informar, comentar e analisar aspectos relevantes da Cultura local, nacional e internacional de forma ágil e interativa com seus leitores, criando uma rede de discussão acerca do mundo dos espetáculos.

linha
Bravo Online
Jazz Mais
Rizoma
Daniel Piza
Lesinrock
Contra Campo
NoMínimo
New Yorker
Senhor RF
Cinefilia
Anteriores
linha
Radiola 60
A dialética do caipira
Vai começar tudo de novo...
Mais vuvuzelas
V de Vuvuzela
O beijo dos beijos
O divulgador da Língua Portuguesa
José Saramago (1922-2010)
Radiola 59
O negro no futebol brasileiro
Arquivo
linha
Julho 2007
Agosto 2007
Setembro 2007
Outubro 2007
Novembro 2007
Dezembro 2007
Janeiro 2008
Fevereiro 2008
Março 2008
Abril 2008
Maio 2008
Junho 2008
Julho 2008
Agosto 2008
Setembro 2008
Outubro 2008
Novembro 2008
Dezembro 2008
Janeiro 2009
Fevereiro 2009
Março 2009
Abril 2009
Maio 2009
Junho 2009
Julho 2009
Agosto 2009
Setembro 2009
Outubro 2009
Novembro 2009
Dezembro 2009
Janeiro 2010
Fevereiro 2010
Março 2010
Abril 2010
Maio 2010
Junho 2010
Julho 2010
Agosto 2010
Setembro 2010
Outubro 2010
Novembro 2010
Dezembro 2010
Janeiro 2011
Fevereiro 2011

Powered by Blogger