Seu Madruga

Sempre me impressionaram fenômenos que surgem nas entranhas da sociedade, aqueles que vão sendo fomentados à margem dos grandes meios de comunicações até que um dia são descobertos (ou não) pelo Domingão do Faustão.
Poderia dar muitos exemplos aqui, do hip hop ao pagode, que antes de virarem trilha sonora de filhos da classe média que anda de carro do ano emprestados dos pais, eram ouvidos das periferias dos grandes centros.
Quer outro exemplo? O personagem Seu Madruga, do seriado “Chaves”, que passou a ser exibido no Brasil lá no meio dos anos 1980. O enlatado mexicano virou febre desde sua primeira exibição. Também pudera, até hoje é difícil não rir com aquelas piadas ao mesmo tempo batidas, mas naturais saídas das falas do Quico, Chiquinha, Dona Florinda, etc.
Mas o único que foi elevado ao status de ícone foi o Seu Madruga, uma criação do ator Ramón Valdés, que por uma coincidência mórbida faleceu na mesma época que “Chaves” começava a ser exibido aqui pela então iniciante emissora de Silvio Santos.
Mas por que dei para falar do Seu Madruga aqui neste espaço? É que de maneira tímida, o mercado editorial brasileiro vem assistindo a um fenômeno nos últimos dois meses. É que o livro “Seu Madruga – Vila e Obra” (Editora Mirabolante), do jornalista Pablo Kaschner está a oito semanas liderando o pódio das biografias mais vendidas do país. São dois meses, um número invejável para qualquer livro no Brasil, um país que, dizem, não é muito afeita à leitura.
No livro, o autor relata através de 14 capítulos (o número de meses que o personagem deve de aluguel ao credor Seu Barriga) a saga do ator na criação e desenvolvimento do mais brasileiro dos mexicanos. Isso. Brasileiro. Esse é o segredo do sucesso de Seu Madruga aqui. Sua capacidade de improvisação, seu humor em meio à desgraça e sua esperteza é o principal motivo para ter se tornado tão querido.
E no geral, o seriado “Chaves” tem tantos fãs até hoje porque era o mais natural dos programas infantis de sua época. Quando Xuxas e Angélicas pintavam um mundo de faz de conta na TV, era no “Chaves” que todos víamos aquela “maldade” esperta que existe em cada criança. Seus personagens respondiam pais e amigos como um tiro certeiro, e quem um dia foi criança admira isso. Nada mais natural que hoje, Seu Madruga e companhia, sejam adorados.











1 Comentários:
O humor muitas vezes é visto pelo lado vulgar. Pessoas parecem estar cada vez mais vendadas apenas na diversão sem informação. Quando o assunto é referente a questoes socio politicas por exemplo, muitas vezes a conversa torna-se monótona, desentiteressanta ao público. Chaves por sua vez consegue transmitir de forma nocente um humpr relevante e com grande crítica social...
Parabens Luciano, admiro seu trabalho e sempre que posso acompanho suas publicações.
Mariane
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