Donos do mundo

O sucesso é inebriante. Prova disso é que um simples elogio é capaz de elevar nosso ego às alturas. Por que digo isso? É que vendo o caso do goleiro Bruno, acusado de assassinar a amante com a ajuda de amigos puxa sacos comecei a pensar que na mídia muitas vezes serve como uma espécie de fermento puramente egocêntrico que atinge desde inúteis ex-BBBs até gente com talento genuíno.
Diz a lenda que certa vez o cantor Jon Bon Jovi causou um escândalo em um hotel em São Paulo e fez toda sua equipe mudar de andar por causa de um pingo que o ar condicionado do seu quarto deixou cair sobre o tapete. Você simples mortal teria coragem de fazer isso? Claro que não, até porque o gerente do hotel riria da sua cara e mais ainda do seu pedido de mudança.
Mas eu, você, o jornalista da revista de fofoca e as fãs tratam qualquer grande artista como reis e quem têm sangue azul tem o direito aos pedidos mais esdrúxulos, pois mesmo assim eles serão acatados.
Mas onde eu queria chagar é no seguinte: Por mais que o goleiro Bruno e seus amigos tenham traços psicopatas ou coisa parecida, acho que também nos vale uma reflexão sobre o valor que nós e a mídia damos a quem ganha destaque. Sabe quem foi a personalidade do ano de 2009 para uma revista de fofoca de grande circulação no Brasil? Sandy, que neste ano lançou um disco de inéditas, mas que durante mais de dois anos foi uma simples dona de casa. Isso deveria ser considerado uma aberração, mas poucos notam a loucura que é alguém aparecer me capas de revistas chupando sorvete, comprando frutas na feira (uma vez fotografaram o Caetano Veloso fazendo isso!) iu indo passear na praia. É como se dissessem: “Essa pessoa, mesmo no auge de sua superioridade, é capaz de descer de seu trono e andar entre os mortais”.
Daí para o sentimento de dono do mundo, que pode resolver até matar alguém que lhe coloca em sua frente é um pulo. Pois a punição é para nós, pobres plebeus.











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