O cantor e compositor Tom Zé colocou esse poema em seu site em homenagem a Michael Jackson. Bem interessante:
AMADO MICHAEL (Tom Zé) Negro da luz que desbota branco Tanto talento tormento tanto Tanta afronta de pouca monta. Eia! virtudes em farta ceia Todo encanto que pode o canto Toda fiança que adoça a dança. Que deus nos furta vida tão curta? Mundo lamenta: ele mal cinquenta! A ninguém ilude essa bruxa rude. Paroxismo desse Narciso Que achou desgosto no próprio rosto E apedrejou-se com faca e foice. Avança a rua (uma dor que dança) E em seus telhados mandibulados Requebra os hinos do dançarino. Niños, rapazes, se sentem azes Herdeiros todos e seus parceiros Revelam parque, porto e favela. II Da Grécia três te trouxeram Graças Arcas repletas de belas artes Arcas que deram ciúme às Parcas. Que luz trarias tu, mitologia, Para um tal desatino de destino Que o espandongado toma por fado? Porque o povo grego disse que Se a hybris o herói consigo quis, Se condiz ao lado dela ser feliz Ele mesmo será pão e maldição Enquanto gera para os olhos de Megera.
Vários artistas brasileiros que fizeram apresentações no último final de semana aproveitaram para homenagear Michael Jackson, cantando algo do repertório do astro pop. Acima separei dois momentos que achei bacana. Se souber de mais coloco aqui.
É triste pensar que hoje muitas pessoas mais jovens só conheçam Michael Jackson através de suas excentricidades e problemas psicológicos. Porque acima disso ele foi um dos grandes astros da música no século 20, um artista completo. Minha fase preferida dele é no Jackson 5, quando ainda moleque de tudo já demostrava um enorme talento, que seria sua glória e sua desgraça.
O texto abaixo saiu nesta quinta-feira no site do jornal "Folha de SP". Deveria figurar naquelas listas de notícias que parecem piadas, mas que são verdades. Minha única curiodiade é: Quem compraria um livro desse? Se você conhecer alguém me avisa, por favor.
Livro sobre o touro Bandido será lançado em agosto
O livro que contará histórias sobre o touro Bandido, que participou da novela da Globo "América", será lançado em 20 de agosto, durante a Festa do Peão de Barretos. Publicado pelo selo HN Publieditorial pelos autores Daniel Maia, Daniel Martins e João Paulo Vani, a obra traz fotos do animal e conta histórias sobre sua trajetória. Haverá ainda uma edição para colecionadores, com mil exemplares numerados, feita com capa dura e tradução para o inglês. Entre as histórias narradas no livro estão relatos de pessoas que conviveram com ele, relatos de peões que o desafiaram e memórias sobre a participação de Bandido em "América". Bandido tem hoje três clones, cerca de 70 filhos, além de duas mil doses de sêmen congelado, o que garante a continuidade de sua linhagem. Memorial Além do lançamento do livro, o touro será homenageado com um memorial no Parque do Peão de Barretos, onde foi enterrado. No local, será colocada uma estátua do boi em tamanho natural, além de fotos e informações sobre ele. Bandido morreu em janeiro deste ano, vítima de um câncer de pele. Sua data de nascimento nunca foi conhecida, mas acredita-se que ele tenha morrido com aproximadamente 15 anos.
O que lhe vem à cabeça quando alguém pronuncia o nome Walt Disney? A primeira deve ser “desenho animado”, seguida das indefectíveis acusações dele ser o principal responsável por um império de sonhos que desde a primeira metade do século nutriu e propagandeou o capitalismo americano aos quatro ventos, através de uma usina de marketing lúdica chamada Disneylândia. Mas o livro “Walt Disney – O Triunfo da Imaginação” (Editora Novo Século), do jornalista Neal Gagler lançado há alguns meses em todo o mundo (inclusive o Brasil) ajuda e desfazer alguns equívocos. Nele, o pai do Mickey aparece como um homem inseguro, problemático, traumatizado, inocente nos negócios e de difícil convivência. Mais que isso: Em alguns aspectos, Disney acabou transferindo para seus personagens até alguns sentimentos contrariamente americanos como o fato de Walt Disney não criar pais para seus personagens. Por que Huguinho, Zezinho e Luizinho têm um tio (Patinhas) e não tem pais? A explicação está nos sérios problemas que o desenhista teve com seus pais na infância, um casal que impunha castigos severos. Em sua coluna para o jornal O Estado de SP o crítico Daniel Piza chamou a atenção para um detalhe interessante na história da “Branca de Neve e os Sete Anões”. Nela, segundo Piza, A inveja da Bruxa Malvada em relação à beleza da heroína na história seria uma censura ao sexo e ao desejo despertado pela jovem, e que a maça representava o castigo, tal qual como na Bíblia. Visão bem interessante.
Nesta sexta-feira o cantor e compositor Chico Buarque está completando 65 anos, sendo quase 50 deles dedicados a uma gloriosa carreira sem precedentes na música popular brasileira. Se autores que tiveram ou têm carreiras longas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Jobim, Luiz Gonzaga e Roberto Carlos sofreram com momento de falta de criatividade em algum ponto da carreira (uns menos, outros mais)e outros como Noel Rosa, Cartola passaram pela vida artistica de maneira veloz demais, Chico pairou no céu da qualidade através de mais de 30 álbuns moldados de maneira quase artesanal, com atenção nos mínimos detalhes e nenhuma pressa. Qualquer homenagem ao filho mais ilustre dos Buarque de Holanda é pouco.
O cantor Eddie Vedder (Pearl Jam), no auge do sucesso, disse que tinha ódio dele mesmo quando passava em uma banca de jornal e via várias fotos dele estampadas em revistas. Esse é um dos reflexos da superexposição: atrair ódio alheio. Ivete está em todos os canais de TV, na Internet, nas revistas, nas rádios populares e para onde mais se olha. Talvez esta seja uma das possíveis explicações para o "mico" que foi sua apresentação da 23ª Festa do Peão de Americana, que teve um público bem menor que o esperado.
Na década de 80 existia um aparthaid dentro da música jovem urbana. Metaleiros, punks e fãs de MPB não coabitavam o mesmo espaço, e faziam questão de deixar isso claro. Mas existia algumas excessões de artistas que furavam esse blequeio estético e um dos mais criativos era a banda paulista Titãs, que chegou ao seu auge entre os anos de 1986 e 1989 (com toda essa inspiração ainda chegando a 1993 com louvor), quando pariram discos ao mesmo tempo inteligentes, ousados e acessíveis. Comecei fazendo toda essa lembrança do passado do grupo para chegar a "Sacos Plásticos", último trabalho do grupo lançado nesta semana. Produzido por Rick Bonadio (CPM 22, NX Zero, Charles Beown Junior), o disco é assustadoramente ruim. Se os Titãs fossem uma banda bem humorada, podia-se afirmar que se tratava de uma piada, pois só isso daria algum sentido a uma faixa como "Antes de Você". Se bandas de rock são como requeijão e têm prazo de validade curto, os Titãs estão fedendo faz tempo. Lastimável!
No passado os lançamentos de discos provocavam grande expectativa em todas as pessoas que tinham algum interesse por música. Hoje a indústria fonográfica é história, e seu fim é certo. Mas é curioso como o enfoque mercadológico acaba desviando a atenção do público para outros produtos. Um exemplo é o esperado "The Beatles: Rock Band", que sai em setembro e que teve seu trailer lançado esses dias. O video passa por todas as fases do quarteto de Liverpool, dos pequeno palco do Cavern Club, por volta de 1960 chegando até o famoso mini concerto de despedida no prédio da gravadora EMI, em 1969. Fabuloso. Mas ainda tenho saudade da velha espera pelos vinis que demoravam à chegar em nossas mãos. Desculpe a nostalgia.
Acabou de chegar aqui na redação um release afirmando que a banda Metallica vem para uma turnê brasileira em janeiro de 2010. As apresentações no Brasil estão confirmadas, mas sem agendamento de datas ou locais, que devem sair nos próximos dias. Será a quarta vinda dos caras, que após alguns anos meio perdidos lançou no ano passado poderoso "Death Magnetic", álbum prá metaleiro nenhum botar defeito.
Dividindo opiniões em todas as frentes (esquerda, direita, diretores, documentaristas, etc), Michael Moore é o cineasta que mais põe o dedo nas feridas abertas de sua América. Na semana passada seu texto sobre a falência da General Motors começou a circular pela internet e aqui no Brasil fopi traduzido pelo site "Apocalipse Motorizado" que debate a questão do automóvel como simbolo do tempo moderno. Abaixo um trecho do artigo de Moore em português:
"É com triste ironia que a empresa que inventou a “obsolescência programada” – a decisão de construir carros que se destroem em poucos anos, obrigando o consumidor a comprar outro – tenha se tornado ela mesma obsoleta. Ela se recusou a construir os carros que o público queria, com baixo consumo de combustível, confortáveis e seguros. Ah, e que não caíssem aos pedaços depois de dois anos. A GM lutou aguerridamente contra todas as formas de regulação ambiental e de segurança. Seus executivos arrogantemente ignoraram os “inferiores” carros japoneses e alemães, carros que poderiam se tornar um padrão para os compradores de automóveis. A GM ainda lutou contra o trabalho sindicalizado, demitindo milhares de empregados apenas para “melhorar” sua produtividade a curto prazo. No começo da década de 80, quando a GM estava obtendo lucros recordes, milhares de postos de trabalho foram movidos para o México e outros países, destruindo as vidas de dezenas de milhares de trabalhadores americanos. A estupidez dessa política foi que, ao eliminar a renda de tantas famílias americanas, eles eliminaram também uma parte dos compradores de carros. A História irá registrar esse momento da mesma maneira que registrou a Linha Maginot francesa, ou o envenenamento do sistema de abastecimento de água dos antigos romanos, que colocaram chumbo em seus aquedutos. Pois estamos aqui no leito de morte da General Motors. O corpo ainda não está frio e eu (ouso dizer) estou adorando. Não se trata do prazer da vingança contra uma corporação que destruiu a minha cidade natal, trazendo miséria, desestruturação familiar, debilitação física e mental, alcoolismo e dependência por drogas para as pessoas que cresceram junto comigo. Também não sinto prazer sabendo que mais de 21 mil trabalhadores da GM serão informados que eles também perderam o emprego. Mas você, eu e o resto dos EUA somos donos de uma montadora de carros! Eu sei, eu sei – quem no planeta Terra quer ser dono de uma empresa de carros? Quem entre nós quer ver 50 bilhões de dólares de impostos jogados no ralo para tentar salvar a GM? Vamos ser claros a respeito disso: a única forma de salvar a GM é matar a GM. Salvar a preciosa infra-estrutura industrial, no entanto, é outra conversa e deve ser prioridade máxima. Se permitirmos o fechamento das fábricas, perceberemos que elas poderiam ter sido responsáveis pela construção dos sistemas de energia alternativos que hoje tanto precisamos. E quando nos dermos conta que a melhor forma de nos transportarmos é sobre bondes, trens-bala e ônibus limpos, como faremos para reconstruir essa infra-estrutura se deixamos morrer toda a nossa capacidade industrial e a mão-de-obra especializada?".
Randy “The Ram” Robinson é um lutador, mas acima de tudo é um perdedor, um homem que parou no tempo (década de 80) e ainda sonha com as glórias que julga ter vivido no seu passado. Cassidy é uma prostituta cuja beleza se esvai. Ela sabe disso, mas aceita as humilhações para dar um futuro ao filho. Esse dois personagens são a base de um dos melhores filmes de 2008, que agora chega ao DVD. Não percam.
Meu companheiro de bancada aqui no LIBERAL, o colunista social Wagner Sanches, é um grande fã de histórias em quadrinhos de heróis. Tem uma coleção invejável, com algumas raridades típicas de quem é dedicado a coleções no mundo das artes. Ele não é criança, o que para o governador José Serra deve soar estranho. Pelo menos foi isso que o nobre governador e alguns setores da mídia deram a entender no caso do livro “Dez na Área, Uma Na Banheira e Ninguém no Gol”, organizado pelo cartunista Orlando Pedroso com vários nomes dos quadrinhos brasileiros. O jornal “Folha de SP”, por exemplo, deu a seguinte manchete no final da semana passada: "SP distribui a escola livro com palavrões". No mesmo dia, José Serra deu a seguinte declaração a um jornal de TV: "Eu aliás achei de muito mau gosto. Desenho, tudo". De toda essa história ficam duas verdades: O citado livro não deveria ter sido comprado para crianças de nove anos de idade, pois foi coletado e pensado para atingir um público infanto- juvenil ou adulto, já que tem linguajar com alguns palavrões e referência a sexo (não que crianças atualmente não falem palavrões ou saibam o que é sexo, mas aí é uma questão educacional, da qual não entendo). A outra é que jornais, pessoas ligadas e a própria população se mostraram de um provincianismo assustador. A ideia de que histórias em quadrinhos é coisa apenas para crianças morreu em qualquer lugar razoavelmente civilizado do mundo desde a década de 70, pelo menos. Hoje, em qualquer livraria temos uma enormidade de títulos em HQ dividindo espaço com livros de arte e grandes títulos de ficção. O escritor Alan Moore, por exemplo, já recebeu importantes prêmios literário por sua criação “Watchmen”, e aposto um dedo da minha mão se alguém for ao cinema assistir a “Batman: O Cavaleiro das Trevas” (adaptado de uma HQ) e continuar achando que aquilo é para crianças, como era a série de TV “Batman e Robin” que ia ao ar na década de 60 nos Estados Unidos e no Brasil nos 80. Em meio a toda essa polêmica nesta, chegou as livrarias uma adaptação de “O Pagador de Promessas”, adaptação em quadrinhos do texto de Dias Gomes (1922-1999) feito pela artista Eloar Guazzelli tendo como base a peça original. Eu mesmo passei a adolescência lendo a antológica “Chiclete com Banana”, do chargista Angeli na década de 80. Era uma obra completamente anárquica e violentamente estética para os padrões do então nascente Nova Republica que chegava após mais de 20 anos de ditadura militar. Lia até em idade bem abaixo da recomendada pelos jornaleiros, mas não me causou mal algum, pelo contrário.
Então o episódio vendido como escandaloso pela imprensa sobre o livro “Dez na Área, Uma Na Banheira e Ninguém no Gol” é só uma prova do provincianismo de alguns setores de nossas mídias e governos.
Luciano Assis, 32, é repórter do Caderno L do jornal LIBERAL, onde escreve diariamente sobre música, literatura, cinema, teatro e artes plásticas. É também o responsável pela coluna “Entrelinhas”, publicada na edição de domingo do jornal, onde analisa assuntos culturais que foram notícia no decorrer da semana.
O Blog Entrelinhas é uma extensão do Caderno L do LIBERAL, e tem como meta informar, comentar e analisar aspectos relevantes da Cultura local, nacional e internacional de forma ágil e interativa com seus leitores, criando uma rede de discussão acerca do mundo dos espetáculos.