Se você tem uma banda de rock que está para acabar, não se preocupe: Ela um dia voltará. Pelo menos é isso que está acontecendo com todas as bandas que um dia apartaram o portão de destruição. Só nos jornais de hoje li três possiveis retornos que já estão quase certos. Por sinal, três grupos bem legais.Ah, e o momento de nostalgia chegou aos anos 90...
Já comprei o tão falado livro “O Mago”, biografia que o jornalista Fernando Moraes fez do escritor Paulo Coelho. Ainda não comecei a ler porque tenho no caminho algumas outras obras na fila, mas confesso que estou morrendo de curiosidade. Quem me conhece sabe que sempre fui um critico chato de tudo que envolve o nome de Paulo Coelho. Sempre achei tratar-se um escritor medíocre de auto-ajuda metido em discursos transcendentais que no fundo não passam de balelas. Sei que em meio ao volume de obras que ele já vendeu no mundo e do dinheiro que já ganhou eu estou em desvantagem e do lado da minoria. Mas isso não abranda minha curiosidade pela vida dele. Pelo contrário, meus questionamentos sobre como ele chegou tão alto e conquistou tanto respeito pelo mundo é cada vez maior. Uma vez, na França conheci o tradutor de Paulo Coelho para o idioma francês e ele me disse que odiava meu “conterrâneo”. Era um professor de literatura Latino Americana que falava português e espanhol muito bem e que descreveu assim sua função em relação ao autor de “O Alquimista”: “É horrível, mas anda me dando um bom dinheiro”. Também tenho um amigo que conviveu com Paulo na época que ele era parceiro de Raul Seixas, na década de 70. Cada vez que ele começa a falar do “mago” jorram um monte de histórias que vão do hilariante ao nonsense, passando por algumas picaretagens. Quando o ouço descrever as peripécias do escritor não sei onde começa a lenda e onde termina o real. Se por um lado tenho tantas reticências a obra de Paulo Coelho, por outro admiro muito algumas de suas atitudes. Por exemplo: Quando Roberto Carlos proibiu sua famosa biografia não autoriza escrita pelo historiador Paulo César de Oliveira, Coelho publicou na imprensa uma carta que é uma verdadeira obra prima sobre liberdade de expressão, atirando contra o cantor e até contra sua própria editora, a Planeta. Na entrevistas que o escritor Fernando Moraes tem dado, ele conta que teve total liberdade para colocar o que quisesse na biografia. “Tive crises de consciências, pois sabia que tinha em mãos coisas muito pesadas contra ele. E ele não quis nem saber quais eram essas coisas para se defender, apenas disse: se acha necessário, coloque”, contou Moraes. Quem acompanha o mundo das pessoas públicas sabem que poucos teriam essa admirável coragem. Talvez essa biografia mostre o que nunca ninguém havia percebido, apesar da obviedade: de todos os personagens criados por Paulo Coelho, ele próprio é o mais rico, interessante e digno de ser analisado em todas as suas nuances.
Alguns críticos mais ranzinzas chegaram a atacar a 81ª Cerimonia do Oscar, que aconteceu na noite do último domingo, em Los Angeles, como uma das piores de todos os tempos, em razão da baixa qualidade de seus principais concorrentes. Exagero. Os cinco candidatos ao prêmio de melhor filme tinham sim suas qualidades, e quem disser o contrário deve ter se esquecido que filmes bem sem graça, como "O Paciente Inglês" (1996), levaram o prêmio e que o infantil "Babe - O Porquinho Atrapalho" (1995) concorreu na categoria de melhor filme. Mas o que mais me desagradou neste ano foram os critérios usados na escolha do melhor filme e diretor que foi para "Quem quer Ser um Milionário?", que na minha visão é uma espécie de "Cidade de Deus" maquiado para não chocar as grandes audiências. Já o outro concorrente mais forte ao prêmio, "O Curioso Caso de Benjamin Button" é o que é: um belo épico de fuga sobre as perdas da vida. Um filme bonito, cativante e desavergonhadamente emocionante. No mais, fiquei feliz com o Oscar de melhor ator para Sean Peen (apesar de ter torcido para o Mickey Rourke) e o de ator coadjuvante para Heath Ledger, magistral na pele do Coringa em "Batman - O Cavaleiros das Trevas".
Simplesmente vergonhosa a notícia publicada hoje no Caderno L do LIBERAL sobre o estado financeiro do cantor Tinoco, ex-parceiro de Tonico da antologica dupla Tonico e Tinoco. Aos 88 anos, ele mendinga shows pelo interior de São Paulo para poder comprar remédios para ele e sua esposa, recém diagnosticada com câncer. Chegou até a rifar um carro de sua propriedade para arranjar mais dinheiro. Mal comparando seria como se BB King estivesse passando fome nos Estados Unidos. Isso me faz lembrar da morte do cantor Leandro, em 1998. Durante uma semana só se falou disso na TV, que exibiu seu velório como se fosse uma Copa do Mundo. Parecia que haviamos perdido um artista de talento extraordinário, revolucionário. Um gênio. Algumas semanas depois, morreria Xavantinho, da dupla Pena Branca e Xavantinho. E qual o resultado? Alguns pés de páginas em jornais de grande circulação e silêncio total nas emissoras de TV. É assim que tratamos nossos artistas realmente importantes.
A cada ano a música brasileira se debruça sobre um determinado artista ou movimento do passado. 2008, por exemplo, foi o ano das homenagens à bossa nova. Em 2007 tivemos os shows que relembraram os 80 anos de Tom Jobim (1927-1994) e 2006 as luzes se viraram sobre Chico Buarque, em razão dos 60 anos de idade do compositor de clássicos como “A Banda” (1966). E às portas de 2009, já dá para adiantar que os próximos meses serão de reverencias, lembranças e homenagens a Raul Seixas, pelos 20 anos de sua morte, em 21 de agosto de 1989. Na miúda, já tiveram início projetos de emissoras de TV, escritores, amigos e fãs do maluco beleza. A abertura das homenagens já têm início em janeiro (ou fevereiro) com o especial “Por Toda a Minha Vida”, da rede Globo. A atração, que já homenageou Tim Maia, Dolores Duran e Tom Jobim reúne amigos e parceiros do roqueiro baiano. “A idéia é fazer de 2009 um ano marcante para os fãs. Do dia 1º de janeiro ao ano novo de 2010, sempre vamos ter algo relacionado a ele”, explicou o amigo e presidente do Raul Rock Club, o principal fã clube do compositor de “Ouro de Tolo”, Silvio Passos. Silvio foi também consultor de um documentário que chega aos cinemas em agosto, onde a vida e a obra de Raulzito serão destrinchadas. “Estamos trabalhando há anos nesse documentário, que é uma produção muito bem cuidada”, adiantou. No mesmo mês chega às livrarias a primeira grande biografia do musico, escrita pelo jornalista paulistano Edmundo Leite, que durante cinco anos se debruçou sobre tudo que dizia respeito ao “Elvis brasileiro”. Ainda sem titulo, busca uma análise isenta da fanatismo do adorado cantor, que hoje é reverenciado como uma espécie de profeta por alguns fãs mais exaltados. “Temos muitos livros sobre o Raul. Muitos mesmos, talvez mais de 30, mas todos puxando para algo ou esotérico, ou por de pura interpretação pessoal das letras. Ou mesmo ‘viagens’ de admiradores dele. O livro do Edmundo é o primeiro a ter um aprofundamento profissional. Vai desmistificar algumas coisas e revelar um ídolo mais humano”, contou Silvio, reforçando as palavras que o próprio escritor ao Jornal do Brasil, no início desta semana. “A biografia deve mostrar um Raul mais humano”, resumiu o jornalista, que ouviu ex-mulheres, filhas, amigos, parceiros e até o escritor Paulo Coelho, parceiro de Raul durante a década de 1970.
Shows
Muitos shows também estão sendo marcados para 2009, e o cantor americanense Roberto Seixas, o principal cover do Raul no Brasil, já presente isso. “Com certeza vamos ter muitas apresentações para fazer. Já temos, na verdade, pois os fãs de Raul nunca o esqueceram. Mas é provável que essas homenagens ganhem mais atenção por parte da mídia”, opinou o cantor nascido no bairro de Carioba. Silvio Passos também torce para que os 21 discos oficiais de Raul ganhem novas e melhores edições. “O catálogo do Raul é muito mal cuidado. Como ele passou por várias gravadoras durante a carreira cada uma relançou seus Cds de um jeito, sem o cuidado que essas obras primas pedia. Fico triste de ver nomes do exterior como Frank Zappa ou Bob Dylan terem edições especiais comemorativas de seus álbuns e um artistas da envergadura do Raulzito ter sua obra tão maltratada”, reclamou.
Ao pensar em Carmem Miranda, muitos pensam naquela figura exótica, com frutas na cabeça e sapatos plataformas. Mas a portuguesa que se transformou na artista que primeiro divulgou o Brasil no exterior era muito mais que isso, influenciando movimentos musicais brasileiros como a Tropicalia e abrindo as portas para nomes como Tom Jobim, João Gilberto, Sergio Mendes e tantos outros fazerem o nome no exterior.
Morreu nesta semana o cantor americano Lux Interior, vocalista da banda The Cramps. Apesar de pouco conhecida no Brasil, o quarteto era cultuado nos Estados Unidos e na Europa, por sua mistura de "cultura trash" e rock dos anos 50, além das performances alucinadas de Lux. Baita perda...
Acabou de cair na rede o videoclipe de "Get On Your Boots", primeira música de trabalho do novo disco da banda irlandesa U2, "No Line on the Horizon", que chega às lojas no próximo mês e na Internet daqui há alguns dias (se já não estiver...). Sinceramente não gostei muito. Achei que tanto o video quanto a música tem os mesmos defeitos e qualidades dos últimos trabalhos da banda de Bono e companhia: entre os defeitos estão o pomposidade de arranjos que esconde uma composição não tão inspirada e um investimento no seguro disfarçado com loops eletrônicos só para dizer que o grupo acompanha os tempos atuais, o que soa desnecessário para uma banda com a história do U2. Isso sem contar o populismo exacerbado de Mr. Bono, que vestiu de vez a máscara de paladino das causas impossíveis, o que nem sempre soa natural. Para contrabalançar temos o sempre bom The Edge, que investe seus sempre certeiros riffs de guitarras que dão gás a cozinha da canção, e deixa a cama pronta para Bono Vox exibir seus sempre carismáticos falsetes e truques, que apesar de batidos, nunca falham. Bom, mas essa é a minha opinião. Olhem aí e tire sua própria conclusão.
Luciano Assis, 32, é repórter do Caderno L do jornal LIBERAL, onde escreve diariamente sobre música, literatura, cinema, teatro e artes plásticas. É também o responsável pela coluna “Entrelinhas”, publicada na edição de domingo do jornal, onde analisa assuntos culturais que foram notícia no decorrer da semana.
O Blog Entrelinhas é uma extensão do Caderno L do LIBERAL, e tem como meta informar, comentar e analisar aspectos relevantes da Cultura local, nacional e internacional de forma ágil e interativa com seus leitores, criando uma rede de discussão acerca do mundo dos espetáculos.