1.30.2009

O último instante de uma era



Há exatos 40 anos, os Beatles subiram no telhado da gravadora Abbey Road, em Londres, e tocaram juntos pela última vez. Um final poético e que marca o final de uma era.

1.28.2009

Estamos cada vez menos exigentes

Há tempos tenho uma impressão pairando sobre meus pensamentos. Algo me diz que toda a tecnologia e velocidade de informação a que somos submetidos está acabando com nossas exigências culturais, nosso senso crítico, nossa capacidade de distinguir o joio do trigo no âmbito cultural. Isso acontece porque somos soterrados por uma avalanche de novas músicas, filmes, vídeos, informações, lançamentos que não nos deixa respirar e apreciar. Essa é a palavra! Apreciar. Sem apreciação não existe arte e apreciação denota tempo, tranqüilidade, atenção, envolvimento.
Quando era garoto – e nem faz tanto tempo assim, diga-se de passagem – a compra de um disco implicava economia de dinheiro, esforço de achar a loja mais badalada da cidade, tempo de espera da encomenda chegar, leituras de resenhas em jornais que nos deixavam ansiosos, etc. Quando o tal álbum chegava, era uma maravilha. Pelo mês seguinte só ouvíamos aquilo, afinal nosso suado dinheiro economizado em lanches da escola tinha se esgotado e uma nova compra só era possível no mês seguinte.
Hoje, os downloads via Internet acabaram com tudo isso – o que tem seu lado bom, claro – e um jovem de 17 anos baixa dezenas de músicas num único dia, da qual ele ouvirá menos da metade muito rapidamente. Afinal de contas, no dia seguinte mais músicas deverão ser baixadas. Isso força a industria cultural a produzir mais para abastecer esse garoto (a) e entramos numa bola de neve de alta velocidade consumista. O exemplo dado acima é musical, mas já atingiu também o cinema, O DVD e, um pouco menos, o teatro e a literatura.

Geração fast food

Essa tal “impressão” a que me refiro acabou verbalizada nas últimas semanas através de um texto de Internet assinado pelo diretor americano de cinema David Lynch (“Twin Peaks”, “Cidade dos Sonhos”) e por uma matéria na revista Rolling Stone.
De forma até agressiva, Lynch diz que “só sendo muito imbecil para se divertir assistindo um longa metragem numa tela de celular”. No mês passado o jornalista Sérgio Augusto, do Caderno “Aliás”, do Estado de São Paulo, recorre ao texto do americano para comentar que nos últimos anos estamos vendo um empobrecendo de direção, edição e roteiros dos filmes, pois grandes planos seqüenciais abertos estão virando coisa do passado já que dão muito trabalho para serem filmados e acabam passando despercebidos em telas de I-phones, computadores e celulares. “Um dos magníficos planos abertos de Joel e Ethan Coen em ‘Onde os Fracos Não Têm Vez’ pareceria um mero papel de parede pobre e de mau gosto na telinha do computador”, destaca Sérgio Augusto.
Já na Rolling Stones o jornalista americano Robert Levine prova por A+ B que mesmo com toda a atual tecnologia dos estúdios atuais a qualidade dos CDs atuais estão bem piores. O problema é o seguinte: Como música hoje é ouvida através de MP3 que compacta o som e tira muito de sua qualidade, os produtores estão cada vez menos atenciosos a nuances e toda música soa exageradamente alta para chamar a atenção dos ouvintes através das caixinhas do computador. A frase do cantor e compositor Donald Fagen, do grupo setentista de jazz rock Steely Dan é genial e resume o assunto: “Deus está nos detalhes, mas eles foram apagados”. E sentencia: “Com todas as inovações técnicas, a música piorou”. É o chamado fast food cultural. Ao invés de uma refeição balanceada estão todos preferindo sanduíches pesados e ocos em vitaminas. Parece que a superficialidade é palavra de ordem no futuro.

1.24.2009

Histórias de medo

Me diverti muito fazendo a matéria "Além da Imaginação", que será publicada neste domingo na capa do Caderno L, do Liberal. Durante toda a semana, corri atrás de histórias de terror, aqui da região, que foram sendo passadas de geração em geração e que até hoje estão na cultura oral do povo. Fiquei surpreso com a quantidade de casos, fora aqueles que vieram me contar novas histórias depois que a matéria já estava pronta.
Como nem todas as lendas ouvidas couberam na matéria que vai as bancas neste domingo, resolvi abrir aqui um novo espaço para contar essas histórias e ainda perguntar se vocês conhecem algum caso de causar calafrios que seus pais, avós, tios, tias ou amigos mais velhos contam. Aqui vai uma muito boa, de Hortôlandia, como exemplo:

Maneco da Porteira

Por volta de 1800 havia em Hortolândia, onde atualmente encontra-se o bairro Taquara Branca, um senhor chamado Maneco da Porteira, muito famoso na região por curar pessoas picadas por cobras. A região era completamente rural, por isso os ataques de serpentes eram comuns. Como não haviam médicos por perto, a população recorria à sabedoria popular do seo Maneco, que sempre conseguia salvar os enfermos.
Seo Maneco, tinha um dom muito especial, além de conhecer como ninguém a natureza das cobras, chamadas por ele de "cipó", para salvar as pessoas vítimas da mordida de cobra, ele benzia um copo com água dava ao enfermo, pedindo que ele repetisse a seguinte frase: "Não me picou, picou o Maneco da Porteira!". Após esse ritual, em poucos dias a pessoa estava curada.
Antes de morrer, Maneco da Porteira quis passar seu dom adiante. Várias pessoas tentaram aprender, mas ninguém conseguiu. Durante o treinamento de seu possível sucessor, seu Maneco ia até um riacho e cortava um cipó que se transformava em cobra e pedia que seu pupilo fizesse o mesmo, que era preciso apenas ter fé. Porém as pessoas ficavam com muito medo dos poderes sobrenaturais de Maneco da Porteira e acabavam desistindo.
Diz a lenda que quando Maneco morreu, em seu túmulo floresceu um lindo jardim, sem ninguém ter plantado. Para a população, essa foi mais uma prova dos poderes de seu Maneco da Porteira.

1.21.2009

Feio ou belo?



Americana ganhou (não oficialmente) no último mês o Portal Princesa Tecelã, cujo projeto arquitetônico e artístico foi do renomado escultor Luiz Gagliastri, que tem expostas obras em vários países do mundo.
Mas nem todo mundo vem aprovando ou vendo beleza na obra, pelo que alguns e-mails que chegaram aqui no LIBERAL estão demonstrando. Isso me levou até o artista responsável pela obra na matéria que será publicada na edição de amanhã do Caderno L. Quis saber dele quais os critérios e significado de cada detalhe do trabalho que ele passou os último seis meses fazendo.
Por isso eu venho até aqui e pergunto: Afinal, o que você achou dessa obra que daqui para frente vai “resumir” Americana para quem aqui chegar usando como entrada para o município a avenida Antonio Pinto Duarte? Bonita, feia, horrenda, uma obra prima?

Os piores do cinema

Como sou meio espirito de porco, adoro uma esculhambação. E a mais organizada das esculhambações é o "Framboesa Dourada", premiação anual onde se elege os piores do cinema do ano anterior.
Os indicados desses ano acabaram de ser divulgados nos Estados Unidos. Destaque para o filme "O Guru do Amor" (foto), do ator careteiro Mike Mayers. Mas também tem Paris Hilton, Eddie Murphy (esse está todos os anos) e muitos outros que acabam com a paciencia de quem gosta e presa pela sétima arte.
Mas o bacana dessa premiação é que eles não temem mexer com vacas sagradas do cinema, pois até Al Pacino é indicado na categoria pior ator, pelo seu mal sucedido papel em "88 Minutos". Isso sem falar no querinho diretor M. Night Shyamalan, pelo fracasso de critica "Fim dos Tempos".

Aqui estão os indicados:

Pior filme

"Super-Heróis - A Liga da Injustiça" e "Espartalhões"
"Fim dos Tempos"
"A Gostosa e a Gosmenta"
"Em Nome do Rei"
"O Guru do Amor"

Pior ator
Larry the Cable Guy, por "Witless protection"
Eddie Murphy, por "O Grande Dave"
Mike Myers, por "O Guru do Amor"
Al Pacino, por "88 minutos"
Mark Wahlberg, por "Max Payne"

Pior atriz
Jessica Alba, por "O olho do mal"
Annette Bening, Eva Mendes, Debra Messing, Jada Pinkett-Smith e Meg Ryan, por "Mulheres O Sexo Forte"
Cameron Diaz, por "Jogo de Amor em Las Vegas"
Paris Hilton, por "A Gostosa e a Gosmenta"
Kate Hudson, por "Um Amor de Tesouro"

Pior sequência

"O Dia em que a Terra parou Mesmo"
"Super-Heróis - A Liga da Injustiça"
"Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal"
"Speed Racer"
"Star Wars A Guerra dos Clones"

Pior diretor
Uwe Boll, por "Postal"
Jason Friedberg & Aaron Seltzer, por "Super-Heróis - A Liga da Injustiça" e "Espartalhões"
Tom Putnam, por "A Gostosa e a Gosmenta"
Marco Schnabel, por "O Guru do Amor"
M. Night Shyamalan, por "Fim dos Tempos"

Pior roteiro
"Super-Heróis - A Liga da Injustiça" e "Espartalhões"
"Fim dos Tempos"
"A Gostosa e a Gosmenta"
"Em Nome do Rei"
"O Guru do Amor"

Pior ator coadjuvante
Uwe Boll, por "Postal"
Pierce Brosnan, por "Mamma Mia"
Ben Kingsley, por "O Guru do Amor"
Burt Reynolds, por "Em Nome do Rei"
Verne Troyer, por "O Guru do Amor"

Pior atriz coadjuvante
Carmen Electra - "Super-Heróis - A Liga da Injustiça"
Paris Hilton, por "Repo! The genetic Opera"
Kim Kardashian, por "Super-Heróis - A Liga da Injustiça"
Jenny McCarthy, por "Witless Protection"
Leelee Sobieski, por "88 minutos"

Pior casal em cena
Uwe Boll e qualquer ator, câmera ou roteiro
Cameron Diaz e Ashton Kutcher, por "Jogo de Amor em Las Vegas"
Paris Hilton e Christine Lakin ou Joel David Moore, por "A Gostosa e a Gosmenta"
Larry the Cable Guy e Jenny McCarthy, por "Witless Protection"
Eddie Murphy em Eddie Murphy, por "O Grande Dave"

Prêmio pela pior carreira
Uwe Boll (a resposta da Alemanha para Ed Wood)

Rodrigo Santoro em boa companhia



Aos poucos aquelas pessoas que fizeram piadas das primeiras participações do ator brasileiro Rodrigo Santoro no cinema americano (lembra de "As Panteras 2", onde ele literalmente entrou mudo e saiu calado?) vão engolindo suas gozações.
Com participações cada vez maiores, e amizades certeiras Santoro pode não se tornar uma estrela internacional de renome, mas já foi mais longe que qualquer outro ator ou atriz brasileiros (mais até que Sonia Braga, que chegou com tudo em Hollywood e sumiu após o filme "O Beijo da Mulher Aranha").
A foto acima foi feita no festival de Sundance, onde estreou o filme "I Love Philip Morris" (ainda sem nome em português), em que ainda estão no elenco Jim Carrey, Ewan McGragor e tem direção de Glenn Ficarro.

Melhor disco de 2009 (até o momento)



Os escoceses do Franz Ferdinand deram um início musical ao ano de 2009 com o Cd "Tonight: Franz Ferdinand", que tem lançamento oficial no próximo dia 26, mas desde a última semana já caiu na Internet. E se o nivel que eles impulseram com esse terceiro álbum da banda ser mantido, 2009 será um baita ano.
Diferente dos grupos atuais que estouram uma música por disco, já que hoje a preocupação maior é com downloads, não com CDs, esses quatro jovens (por volta dos 30 anos) lançam uma obra para ser ouvida do início ao fim, sem intervalo, faixas fracas ou enrolação.
Moderno e cheio de acenos aos passado na mesma progressão de acordes "Tonight..." é desde já um dos sérios candidatos a melhor trabalho musical de 2009. Fique atento.

1.20.2009

Edgar Allan Poe

Meu escritor americano preferido é Edgar Allan Poe, cujo nascimento completa 200 anos nesta terça-feira. Pai supremo dos contos de terror, Poe é influência essencial na obra de todo mundo que um dia pensou em escrever ou filmar algo que provoca-se medo em alguém, do José Mojica Marins a Alfred Hitchock, passando por séries como "Sexta-feira 13", "A Hora do Pesadelo" ou "Pânico". A diferença é que poucos chegaram a seus pés (talvez dos citados apenas Hitchock tenha atingido tal nivel).

Abaixo um conto do mestre. É um pouco longo, mas vale a pena cada linha.



O coração delator
Edgar Allan Poe


É verdade! Nervoso, muito, muito nervoso mesmo eu estive e estou; mas por que você vai dizer que estou louco? A doença exacerbou meus sentidos, não os destruiu, não os embotou. Mais que os outros estava aguçado o sentido da audição. Ouvi todas as coisas no céu e na terra. Ouvi muitas coisas no inferno. Como então posso estar louco? Preste atenção! E observe com que sanidade, com que calma, posso lhe contar toda a história.

É impossível saber como a idéia penetrou pela primeira vez no meu cérebro, mas, uma vez concebida, ela me atormentou dia e noite. Objetivo não havia. Paixão não havia. Eu gostava do velho. Ele nunca me fez mal. Ele nunca me insultou. Seu ouro eu não desejava. Acho que era seu olho! É, era isso! Um de seus olhos parecia o de um abutre - um olho azul claro coberto por um véu. Sempre que caía sobre mim o meu sangue gelava, e então pouco a pouco, bem devagar, tomei a decisão de tirar a vida do velho, e com isso me livrar do olho, para sempre.

Agora esse é o ponto. O senhor acha que sou louco. Homens loucos de nada sabem. Mas deveria ter-me visto. Deveria ter visto com que sensatez eu agi — com que precaução —, com que prudência, com que dissimulação, pus mãos à obra! Nunca fui tão gentil com o velho como durante toda a semana antes de matá-lo. E todas as noites, por volta de meia-noite, eu girava o trinco da sua porta e a abria, ah, com tanta delicadeza! E então, quando tinha conseguido uma abertura suficiente para minha cabeça, punha lá dentro uma lanterna furta-fogo bem fechada, fechada para que nenhuma luz brilhasse, e então eu passava a cabeça. Ah! o senhor teria rido se visse com que habilidade eu a passava. Eu a movia devagar, muito, muito devagar, para não perturbar o sono do velho. Levava uma hora para passar a cabeça toda pela abertura, o mais à frente possível, para que pudesse vê-lo deitado em sua cama. Aha! Teria um louco sido assim tão esperto? E então, quando minha cabeça estava bem dentro do quarto, eu abria a lanterna com cuidado — ah!, com tanto cuidado! —, com cuidado (porque a dobradiça rangia), eu a abria só o suficiente para que um raiozinho fino de luz caísse sobre o olho do abutre. E fiz isso por sete longas noites, todas as noites à meia-noite em ponto, mas eu sempre encontrava o olho fechado, e então era impossível fazer o trabalho, porque não era o velho que me exasperava, e sim seu Olho Maligno. E todas as manhãs, quando o dia raiava, eu entrava corajosamente no quarto e falava Com ele cheio de coragem, chamando-o pelo nome em tom cordial e perguntando como tinha passado a noite. Então, o senhor vê que ele teria que ter sido, na verdade, um velho muito astuto, para suspeitar que todas as noites, à meia-noite em ponto, eu o observava enquanto dormia.

Na oitava noite, eu tomei um cuidado ainda maior ao abrir a porta. O ponteiro de minutos de um relógio se move mais depressa do que então a minha mão. Nunca antes daquela noite eu sentira a extensão de meus próprios poderes, de minha sagacidade. Eu mal conseguia conter meu sentimento de triunfo. Pensar que lá estava eu, abrindo pouco a pouco a porta, e ele sequer suspeitava de meus atos ou pensamentos secretos. Cheguei a rir com essa idéia, e ele talvez tenha ouvido, porque de repente se mexeu na cama como num sobressalto. Agora o senhor pode pensar que eu recuei — mas não. Seu quarto estava preto como breu com aquela escuridão espessa (porque as venezianas estavam bem fechadas, de medo de ladrões) e então eu soube que ele não poderia ver a porta sendo aberta e continuei a empurrá-la mais, e mais.

Minha cabeça estava dentro e eu quase abrindo a lanterna quando meu polegar deslizou sobre a lingüeta de metal e o velho deu um pulo na cama, gritando:

— Quem está aí?

Fiquei imóvel e em silêncio. Por uma hora inteira não movi um músculo, e durante esse tempo não o ouvi se deitar. Ele continuava sentado na cama, ouvindo bem como eu havia feito noite após noite prestando atenção aos relógios fúnebres na parede.

Nesse instante, ouvi um leve gemido, e eu soube que era o gemido do terror mortal. Não era um gemido de dor ou de tristeza — ah, não! era o som fraco e abafado que sobe do fundo da alma quando sobrecarregada de terror. Eu conhecia bem aquele som. Muitas noites, à meia-noite em ponto, ele brotara de meu próprio peito, aprofundando, com seu eco pavoroso, os terrores que me perturbavam. Digo que os conhecia bem. Eu sabia o que sentia o velho e me apiedava dele embora risse por dentro. Eu sabia que ele estivera desperto, desde o primeiro barulhinho, quando se virara na cama. Seus medos foram desde então crescendo dentro dele. Ele estivera tentando fazer de conta que eram infundados, mas não conseguira. Dissera consigo mesmo: "Isto não passa do vento na chaminé; é apenas um camundongo andando pelo chão", ou "É só um grilo cricrilando um pouco". É, ele estivera tentando confortar-se com tais suposições; mas descobrira ser tudo em vão. Tudo em vão, porque a Morte ao se aproximar o atacara de frente com sua sombra negra e com ela envolvera a vítima. E a fúnebre influência da despercebida sombra fizera com que sentisse, ainda que não visse ou ouvisse, sentisse a presença da minha cabeça dentro do quarto.

Quando já havia esperado por muito tempo e com muita paciência sem ouvi-lo se deitar, decidi abrir uma fenda — uma fenda muito, muito pequena na lanterna. Então eu a abri — o senhor não pode imaginar com que gestos furtivos, tão furtivos — até que afinal um único raio pálido como o fio da aranha brotou da fenda e caiu sobre o olho do abutre.

Ele estava aberto, muito, muito aberto, e fui ficando furioso enquanto o fitava. Eu o vi com perfeita clareza - todo de um azul fosco e coberto por um véu medonho que enregelou até a medula dos meus ossos, mas era tudo o que eu podia ver do rosto ou do corpo do velho, pois dirigira o raio, como por instinto, exatamente para o ponto maldito.

E agora, eu não lhe disse que aquilo que o senhor tomou por loucura não passava de hiperagudeza dos sentidos? Agora, repito, chegou a meus ouvidos um ruído baixo, surdo e rápido, algo como faz um relógio quando envolto em algodão. Eu também conhecia bem aquele som. Eram as batidas do coração do velho. Aquilo aumentou a minha fúria, como o bater do tambor instiga a coragem do soldado.

Mas mesmo então eu me contive e continuei imóvel. Quase não respirava. Segurava imóvel a lanterna. Tentei ao máximo possível manter o raio sobre o olho. Enquanto isso, aumentava o diabólico tamborilar do coração. Ficava a cada instante mais e mais rápido, mais e mais alto. O terror do velho deve ter sido extremo. Ficava mais alto, estou dizendo, mais alto a cada instante! — está me entendendo? Eu lhe disse que estou nervoso: estou mesmo. E agora, altas horas da noite, em meio ao silêncio pavoroso dessa casa velha, um ruído tão estranho quanto esse me levou ao terror incontrolável. Ainda assim por mais alguns minutos me contive e continuei imóvel. Mas as batidas ficaram mais altas, mais altas! Achei que o coração iria explodir. E agora uma nova ansiedade tomava conta de mim — o som seria ouvido por um vizinho! Chegara a hora do velho! Com um berro, abri por completo a lanterna e saltei para dentro do quarto. Ele deu um grito agudo — um só. Num instante, arrastei-o para o chão e derrubei sobre ele a cama pesada. Então sorri contente, ao ver meu ato tão adiantado. Mas por muitos minutos o coração bateu com um som amortecido. Aquilo, entretanto, não me exasperou; não seria ouvido através da parede. Por fim, cessou. O velho estava morto. Afastei a cama e examinei o cadáver. É, estava morto, bem morto. Pus a mão sobre seu coração e a mantive ali por muitos minutos. Não havia pulsação. Ele estava bem morto. Seu olho não me perturbaria mais.

Se ainda me acha louco, não mais pensará assim quando eu descrever as sensatas precauções que tomei para ocultar o corpo. A noite avançava, e trabalhei depressa, mas em silêncio. Antes de tudo desmembrei o cadáver. Separei a cabeça, os braços e as pernas.

Arranquei três tábuas do assoalho do quarto e depositei tudo entre as vigas. Recoloquei então as pranchas com tanta habilidade e astúcia que nenhum olho humano — nem mesmo o dele — poderia detectar algo de errado. Nada havia a ser lavado — nenhuma mancha de qualquer tipo — nenhuma marca de sangue. Eu fora muito cauteloso. Uma tina absorvera tudo - ha! ha!

Quando terminei todo aquele trabalho, eram quatro horas — ainda tão escuro quanto à meia-noite.
Quando o sino deu as horas, houve uma batida à porta da rua. Desci para abrir com o coração leve — pois o que tinha agora a temer? Entraram três homens, que se apresentaram, com perfeita suavidade, como oficiais de polícia. Um grito fora ouvido por um vizinho durante a noite; suspeitas de traição haviam sido levantadas; uma queixa fora apresentada à delegacia e eles (os policiais) haviam sido encarregados de examinar o local.

Sorri — pois o que tinha a temer? Dei as boas-vindas aos senhores. O grito, disse, fora meu, num sonho. O velho, mencionei, estava fora, no campo. Acompanhei minhas visitas por toda a casa. Incentivei-os a procurar — procurar bem. Levei-os, por fim, ao quarto dele. Mostrei-lhes seus tesouros, seguro, imperturbável. No entusiasmo de minha confiança, levei cadeiras para o quarto e convidei-os para ali descansarem de seus afazeres, enquanto eu mesmo, na louca audácia de um triunfo perfeito, instalei minha própria cadeira exatamente no ponto sob o qual repousava o cadáver da vítima.

Os oficiais estavam satisfeitos. Meus modos os haviam convencido. Eu estava bastante à vontade. Sentaram-se e, enquanto eu respondia animado, falaram de coisas familiares. Mas, pouco depois, senti que empalidecia e desejei que se fossem. Minha cabeça doía e me parecia sentir um zumbido nos ouvidos; mas eles continuavam sentados e continuavam a falar. O zumbido ficou mais claro — continuava e ficava mais claro: falei com mais vivacidade para me livrar da sensação: mas ela continuou e se instalou — até que, afinal, descobri que o barulho não estava dentro de meus ouvidos.

Sem dúvida agora fiquei muito pálido; mas falei com mais fluência, e em voz mais alta. Mas o som crescia - e o que eu podia fazer? Era um som baixo, surdo, rápido — muito parecido com o som que faz um relógio quando envolto em algodão. Arfei em busca de ar, e os policiais ainda não o ouviam. Falei mais depressa, com mais intensidade, mas o barulho continuava a crescer. Levantei-me e discuti sobre ninharias, num tom alto e gesticulando com ênfase; mas o barulho continuava a crescer. Por que eles não podiam ir embora? Andei de um lado para outro a passos largos e pesados, como se me enfurecessem as observações dos homens, mas o barulho continuava a crescer. Ai meu Deus! O que eu poderia fazer? Espumei — vociferei — xinguei! Sacudi a cadeira na qual estivera sentado e arrastei-a pelas tábuas, mas o barulho abafava tudo e continuava a crescer. Ficou mais alto — mais alto — mais alto! E os homens ainda conversavam animadamente, e sorriam. Seria possível que não ouvissem? Deus Todo-Poderoso! — não, não? Eles ouviam! — eles suspeitavam! — eles sabiam! - Eles estavam zombando do meu horror! — Assim pensei e assim penso. Mas qualquer coisa seria melhor do que essa agonia! Qualquer coisa seria mais tolerável do que esse escárnio. Eu não poderia suportar por mais tempo aqueles sorrisos hipócritas! Senti que precisava gritar ou morrer! — e agora — de novo — ouça! mais alto! mais alto! mais alto! mais alto!

— Miseráveis! — berrei — Não disfarcem mais! Admito o que fiz! levantem as pranchas! — aqui, aqui! — são as batidas do horrendo coração!

Eu fui!

O cantor inglês Elton John abriu entre a noite de sábado (São Paulo) e a de ontem (Rio de Janeiro) a temporada de shows internacionais que neste ano de 2009 será quente aqui no Brasil. Com uma apresentação recheada de sucessos, Sir Elton fez a alegria de fãs de todas as idades.
A maior fã do astro aqui na redação é a repórter de Cidades Leslie Cia. Silveira (fotinho abrindo esse post), que, ao lado do maridão Paulo, comprou seus ingressos (área vip) logo nas primeiras horas de venda, ainda em novembro do ano passado. Então, nada mais justo que a própria fosse convidada a reportar aqui aquilo que ela viu lá no Anhembi na noite de sábado, ao lado do palco da turnê "Rocket Man". Fala aí Leslie:

Turnê “Rocket Man”, eu fui....

Dizem por aí que felicidade não tem preço. E, foi justamente essa certeza que eu tive sábado passado, dia 17, à meia noite e meia, quando sir Elton John encerrou o show “Rocket Man”, no Anhembi, em São Paulo, com a mais bela de suas canções: Your Song. Foram 2h30 de apresentação recheada com os maiores sucessos das quatro décadas de carreira do mega star. Nada menos que 22 músicas, do mais puro rock ao romantismo, na voz mais bela do Planeta.
Para garantir um lugar em frente ao palco, o mais próximo possível do ídolo, nós fãs tivemos de testar a resistência física e vencer o cansaço. Foram nove horas em pé, debaixo de sol e de chuva forte. Os portões foram abertos com uma hora de atraso, às 18 horas, mas nada disso importava. A menos de dez metros do palco acompanhei o trabalho sincronizado da equipe técnica que em 45 minutos desmontou toda a aparelhagem do show do também britânico James Blant, que a convite de Elton John ocupou o palco das 20 horas às 21h15.
Quando o piano de cauda Yamaha entrou no palco a platéia ficou enlouquecida. Exatamente às 22h02 o rei do pop surgiu para o delírio do eclético público formado por “súditos” de todas as idades. A chuva fina que caiu apenas no início do show foi completamente ignorada pelos 29 mil fãs apaixonados entre os quais, casais de jovens e idosos, pais e filhos e até crianças.
Já nos primeiros songs o senhor de 61 anos mostrou que a idade em nada afetou sua capacidade vocal e a coragem de fazer malabarismos sobre o piano. O artista consagrado por diferentes gerações deu demonstração de que mesmo uma estrela de sua grandeza deve ter a humildade de reverenciar o público. No final de cada música ele se levantou para agradecer os aplausos, os gritos, as lágrimas que muitos não conseguiram conter.
Depois de 14 anos sem pisar em solo brasileiro Elton John provou porque quem é rei nunca perde a majestade. E, para mim que ao lado do meu marido Paulo vivi uma experiência inesquecível, tive a oportunidade de confirmar que a vida sem uma loucura de vez em quando não vale a pena!

1.19.2009

Cinema nacional 2009

O ano de 2008 não foi muito bom para o cinema brasileiro. Dados do Sindicato dos Distribuidores e demais interessados na sétima arte nacional apontaram queda no número de compradores de ingressos para produções locais, e com excessão de "Meu Nome não é Johnny" não tivemos nenhuma outra obra que despertou maior interesse da grande massa.
Mas 2009 promete ser diferente. Não bastasse os 2 milhões de espectadores de "Se eu Fosse Você 2" conquistados em pouco mais de 2 semanas, uma série de lançamentos de peso prometem chegar a grande tela nos próximos 11 meses e 11 dias. Olhe só algumas delas:

1 - "O Bem Amado": Dirigido por Guel Arraes, escrita por Dias Gomes, e tendo José Wilker como Zeca Diabo o filme é a comédia mais esperada do ano e já chamada de o "novo 'O Auto da compadecida'".

2 - Budapeste - Longa metragem baseado no livro homônimo de Chico Buarque e dirigido por Walter Carvalho.

3 - O Doce Veneno do Escorpião - Marcus Boldini leva para as telas o best seller de Bruna Sufistinha. Quero ver como não fazer um filme pornô daquelas histórias...

4 - Bonitinha, mas Ordinária - Obra de Nelson Rodrigues é levada pela segunda vez aos cinemas. No lugar de Lucélia Santos, essa belezinha aí da foto de cima. A direção é de Moacyr Goes.

5 - Jean Charles - A história do brasileiro morto ao ser confundido com um terrorista tem o sempre bom Selton Mello no papel principal e Henrique Goldman atrás das câmeres.

Cinema inovador

"A Dacade - Under the Influence: The 70's films the changed everything" é o nome do documentanario recém lançado nos Estados Unidos que enfoca o nascimento da geração de cineastas que mudou o cinema americano a partir do final da década de 60, impulsionando uma industria hollywoodiana que se encontrava em crise desde desde o nascimento daquela década e que se viu levantar-se graças ao talento de jovens como Martin Scorsese, Steven Spielberg, Francis Ford Coppola, Robert Alteman e tantos outros.
A direção é dos irmãos Damme e Richard Lagravense, e a única má notícia é que ainda não há nenhuma previsão de lançamento da obra aqui no Brasil.

A nova da Amy



Perto do jornal inglês "The Sun" qualquer outro periódico sensacionalista do mundo é um poço de seriedade e bom senso. Fora que a redação funciona com um número reduzido de funcionários que se aproveita dos milhares de Paparazzis espalhados pelo mundo que são muito bem pagos para conseguirem imagens como essa aqui de cima (roubei do site deles): A sem noção mor Amy Winehouse literalmente rastejando de bêbada em um hotel do Caribe, onde passa férias.

1.16.2009

U2: capa do novo disco



Essa é a capa de "No Line on The Horizon", novo disco do U2, que chega às lojas em março. A obra é do fotógrafo japonês Hiroshi Sugimoto, e mostra a junção do mar com o horizonte. O primeiro single chega às rádios no dia 15 de fevereiro, e se chama "Get Your Boots On".

1.15.2009

A aula de música de Tom Zé



Eternamente inventivo Tom Zé consegue, aos 73 anos, ser dono de uma linha de pensamento complexa, mas não impenetravel, e que muitas vezes soa engraçada como demonstra essa entrevista para o programa de Jô Soares.

1.13.2009

E para encerrar 2008...

E para finalmente podermos mudar de assunto e começarmos a viver 2009 passo aqui minha lista de melhores Cds lançados em 2008, segundo meu gosto pessoal. Deixei de fora alguns queridinhos da crítica, como o TV on the Radio, e seu álbum "Dear Science", que apesar de ter achado bom, não me deixou apaixonado como deixou a crítica especializada de todo o planeta. Bom, aqui vai meu veredito em forma de lista. Espero pelo seu.

Disco Internacional:

1- Jukebox - Cat Power
2 - Third - Portishead
3 - Acellerate - REM
4 - The Odd Couple - Gnarls Barkley
5 - Consoler of the Lonely - Racounters
6 - Fleet Foxes - The Fleet Foxes
7 - Warpaint - Black Crowes
8 - Dig, Lazarus, Dig - Nick Cave and the Bad Seeds
9 - Modern Guilt - Beck
10 - The Bedlam in Goliath - The Mars Volta

Disco nacional

1 - "Arrigo Barnabé e Paulo Braga ao Vivo em Porto" -
Arrigo Barnabé e Paulo Braga
2 - Labiata - Lenine
3 - Janela da Fazenda - Pena Branca
4 - Maré - Adriana Calcanhoto
5 - Artista Igual Pedreiro - Macaco Bong
6 - Estudando a bossa - Tom Zé
7 - Na Confraria das Sedutoras - 3 na Massa
8 - Sou/ Nos - Marcelo Camelo
9 - Sob o Sol - Agnaldo Araújo
10 - O Coração do Homem Bomba - Zeca Baleiro

Melhores do ano da Rolling Stone

A revista Rolling Stone brasileira chegou nesta semana às bancas trazendo a cantora Britney Spears na capa e uma lista com as melhores músicas e discos lançados em 2008. A lista é boa, apesar de pessoalmente ficar com vontade mexer em algumas posições e lamentar várias ausencias na lista dos discos nacionais (será que nenhum crítico brasileiro ouviu os novos Cds de Pena Branca e do Arrigo Barnabé?). Olhem a listagem deles:

Melhores músicas nacionais

1 - "Janta", Marcelo Camelo e Mallu Magalhães
2 - "Samba e Leveza", Lenine
3 - "J1" Mallu Magalhães
4 - "Rat is Dead (Rage)", CSS
5 - "Desabafo", Marcelo D2
6 - "Amendoim", Macaco Bong
7 - "Quinta-Feira", Forgotten Boys
8 - "Dê", Cérebro Eletrônico
9 - "Compacto", Curumin
10 - "Vermelho", Guizado

Melhores músicas internacionais

1 - "Paper Planes", M.I.A.
2 - "Viva La Vida", Coldplay
3 - "Human", The Killers
4 - "Machine Gun", Portishead
5 - "Never Miss a Beat", Kaiser Chiefs
6 - "Mercy", Duffy
7 - "Pork & Beans", Weezer
8 - "I Kissed a Girl", Katy Perry
9 - "Time to Pretend", MGTM
10 - "The Shock of the Lightning", Oasis

Melhores discos nacionais

1 - "Artista Igual Pedreiro", Macaco Bong
2 - "Mallu Magalhães", Mallu Magalhães
3 - "Na Confraria das Sedutoras", 3 na Massa
4 - "Donkey", CSS
5 - "Labiata", Lenine
6 - "Punx", Guizado
7 - "Japan Pop Show", Curumin
8 - "Pareço Moderno", Cérebro Eletrônico
9 - "Inclassificáveis", Ney Matogrosso
10 - "Conecta ao Vivo no Cinemathèque", Marcos Valle

Melhores discos internacionais

1 - "Dear Science", TV On the Radio
2 - "Modern Guilt", Beck
3 - "Third", Portishead
4 - "Jukebox", Cat Power
5 - "Oracular Spectacular", MGMT
6 - "Lay it Down", Al Green
7 - "Consolers of the Lonely", The Raconteurs
8 - "Viva La Vida or Death and All His Friends", Coldplay
9 - "Acelerate", R.E.M
10 - "Day & Age", The Killers

1.09.2009

O pai do CQC

Quando o Brasil ainda descobria a liberdade após anos sob a bota dos militares, o jornalista Marcelo Tas criou o personagem Ernesto Varela, um repórter abelhudo que fazia as mais irritantes e desconcertantes perguntas a politicos, esportistas e celebridades. Um precursor do que hoje é o CQC, que por sinal é apresentando pelo próprio Tas. Aqui está alguns dos melhores momentos do quadro, que tinha como câmera nada mais, nada menos que Fernando Meirelles, hoje internacionalmente conhecido como diretor de filmes como "Cidade de Deus" e "Ensaio Sobre a Cegueira".

1.08.2009

Um Beijo Roubado

Longe de ser a obra prima que andaram exaltando por aí a estréia do diretor chinês Wong Kar Wai na língua inglesa com o filme "Um Beijo Roubado" é, além de encantador, uma bela meditação sobre as perdas cotidianas, exemplificada através de uma jovem desiludida no amor que cai no mundo para através das tragédias alheias se descobrir no mundo. A história parece batida, mas o bom roteiro, o desempenho dos atores (o de Natalie Portman, principalmente), a fotografia espetacular e a direção sensível do chinês fazem a diferença no saldo final neste que é um dos melhores filmes de 2008.

1.06.2009

Folia de Reis

A tradição da Folia de Reis está quase extinta no Brasil, dependendo apenas de alguns heróicos grupos que todos os anos passam pelas casas de fiéis entoando músicas e danças tipicamente brasileiras. Um desses grupos responde pelo nome de Estrela de Belém, e foi capa do Caderno L do LIBERAL desta terça-feira, em matéria assinada por esse humilde repórter que vos fala.
Abaixo separei esse belo trabalho em video de 2007 dos jovens estudantes Ivan Manoel (Diretor e Pesquisador), Leandro Tersi (Editor), Rafael Tersi e Edoardo Frascolla (Fotografia), Guilherme Argentão (Cameras) , Danilo (Relações Publicas) e Mestre Sérgio Gertel (Entusiasta e Direção Geral), que registraram a história do grupo para um trabalho de faculdade.

Editor
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PerfilLuciano Assis
Luciano Assis, 32, é repórter do Caderno L do jornal LIBERAL, onde escreve diariamente sobre música, literatura, cinema, teatro e artes plásticas. É também o responsável pela coluna “Entrelinhas”, publicada na edição de domingo do jornal, onde analisa assuntos culturais que foram notícia no decorrer da semana.
Perfíl do Blog
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O Blog Entrelinhas é uma extensão do Caderno L do LIBERAL, e tem como meta informar, comentar e analisar aspectos relevantes da Cultura local, nacional e internacional de forma ágil e interativa com seus leitores, criando uma rede de discussão acerca do mundo dos espetáculos.

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