12.26.2008

Arte eterna



Esse video é até popular, pois já o vi circulando em algumas páginas de orkuts por aí, mas é uma prova definitiva de que a grande arte, aquela com A maíusculo é eterna, já que o texto recitado acima pelo ator Moacir Reis foi escrito no século 16 por William Shakeaspare e é de uma atualidade impressionante para esses tempos em que vivemos.

12.24.2008

Feliz Natal!

É engraçado que em um país tão religioso quanto o Brasil tenha-se tão poucos lançamentos natalianos na área musical. Fora que quando alguém resolve mudar essa tradição faz bobagem (né Simone, Padre Marcelo...?). Lá fora essa tradição também está morrendo, mas houve uma época que Natal era sinônimo de lançamentos especiais. Claro que nem tudo era uma maravilha, mas o hábito de colocar artistas para trabalharem em músicas temáticas rendeu algumas obras primas, como o maravilhoso "A Gift for you from Phil Spector" (1963), onde o famoso produtor Spector reuniu seus comandados em uma mini sinfonia de natal, que só não se tornou ainda mais popular por causa da morte do presidente americano John Kennedy, poucas semanas antes da chegada do álbum às lojas.
Os Beatles também iniciaram neste mesmo ano o hábito de soltarem compactos natalinos, e o mantiveram até o final, em dezembro de 1969. Entre belezas inquestionáveis e bom humor ("Rudolph the red nosed Ringo", de 1964, era uma piada com o nariz de Ringo Star que era comparado com a Rena do Nariz Vermelho)o quarteto de Liverpool tinha a data como referencia. "Christmas Time is Here Again", que pode ser ouvida abaixo e foi assinada pelos quatro (Lennon, McCartney, Harrison e Ringo) foi gravada em dezembro de 1967, mas só viu a luz do dia em 1995, descoberta durante as pesquisas para o documentário e o Box de Cds da série "Anthology". É meu presente de natal para os leitores desse blog. Feliz Natal a todos!


12.23.2008

Arte na cidade

Olha essas ações de artistas pelo mundo que usam suas respectivas cidades como matéria prima:


O metrô de Toulousse, na França, está assim, após intervenções de artistas que trabalharam em parceria com a prefeitura do municipio.


Nos Estados Unidos um grupo de fotógrafos achou as letras do alfabeto nos prédios das cidades.

12.22.2008

O tema da Capitu

Recebi alguns e-mails (cinco, para ser mais exato) perguntando sobre a música usada como tema dos personagens Capitu e Bentinho, na microssérie “Capitu” exibida há alguns dias pela rede Globo.Anotem aí: A banda se chama Beirut, é americana e liderada por Jach Condon. Eles têm dois Cds na praça, “Gulag Orkestar” (2006) e o EP (um Cd mais curto) “Lon Gisland” (2007). É neste último que está a música “Elephant Gun”, a canção que Luiz Fernando Carvalho escolheu para a sua versão televisiva da sua musa dos “olhos de ressaca”.

Abaixo o videoclipe da dita cuja

12.19.2008

Mais que mil palavras


O então candidato Barack Obama discursa sob chuva na eleição americana (outubro)


Exército invade casa de família na África (maio).



Mulher fala ao telefone observando hotel que foi alvo de terroristas na Índia (novembro).



Múmia encontrada no deserto do Saara (julho).


Mulheres lavam roupa tendo ao fundo prédio desmoronado (junho).

O jornal Boston Globe teve uma tiragem de mestre: em sua retrospectiva do ano de 2008, eles usaram apenas imagens, nada de textos, levando ao pé da letra o pensamento que uma boa imagem vale mais que mil palavras. No site do jornal (www.boston.com/bigpicture) eles publicaram 40 fotos de um total de 120, que mostram desde vulcões em erupção no chile até o estrago do terremoto na china, passando pelo ataque terrorista na Índia.
Acima algumas das fotos que eu mais gostei (clique nas imagens para vê-las ampliada):

12.18.2008

Mais um pouco de Madonna

Sei que muita gente já não aguenta mais ouvir falar de Madonna, tamanha é a overdose de notícias que as TVs e jornais estão despejando sobre ela nos últimos dias, em razão da turnê "Sticky and Sweet", cujo primeiro show acontece logo mais no estádio do Morumbi. Mas peço que aguentem mais esse texto antigo meu que desencavei dos arquivos aqui do LIBERAL.


Neste sábado duas pessoas extremamente importantes no mundo em que eu vivo fizeram aniversário e chegaram aos 50 anos. Uma é minha mãe e a outra é a cantora americana Madonna. Minha mãe é importante por motivos óbvios, sem ela eu não estaria aqui. E quanto a Madonna, goste-se ou não, ela ajudou a moldar um novo feminismo a partir de sua ascensão em meados da década de 1980, servindo como uma espécie de Simone de Beauvoir (1908 - 1986) das massas.
Nascido em meio a revolução francesa o feminismo lutou por décadas pela igualdade entre os sexos, ganhando maior impulso durante os anos 60, com as lutas civis nos Estados Unidos e Inglaterra, quando uma grande mudança comportamental tomou conta dos jovens.
Mesmo assim, o feminismo sempre carregou consigo uma bandeira de batalha, como se as mulheres estivessem sempre a ponto de agredir os homens a socos e ponta pés a fim de conquistar seus direitos. Na era bem assim, mas era como a sociedade via. A escritora americana Camile Paglia arrumou muita briga e polêmica por atacar a visão reducionista das ativistas feministas de que o sexo era a maior forma de domínio dos homens sobre elas, como se a solução para a “tomada do poder” feminino estaria na negação à carne. Era como se o prazer sexual dos homens e o feminismo fossem campos de batalhas que deviam ser conquistados, e os dois sexos não pudessem conviver no mesmo tempo e lugar.
É muito provável que Paglia tenha saudado com entusiasmo o aparecimento de Madonna, que em 1985 cantava, com ironia, que queria ser uma “material Girl” (garota objeto), emprestando de Marylin Monroe o visual de loura burra. Mas Madonna de burra não tinha nada, e era isso que a transformava, à época, num paradoxo. Madonna era dona de sua própria vida, de sua carreira, da música que fazia. Mas gostava de sexo, de se fingir controlada em clipes onde abundavam diferentes raças para horror das sociedades americanas e européias, sempre avessas a misturas.
Outro paradoxo da cantora era provocar o grande público sempre tendo em foco a conquista das massas. Não vamos ser inocentes e esquecer que ela é produto da industria fonográfica, que ganhou milhões de dólares manipulando como poucos os medos e desejos de seu publico, de forma calculada. Mas quantos conseguiram fazer isso por tanto tempo? E mais ainda: quantos ainda hoje ditam tendências tanto musicais quanto comportamentais no universo pop?
O mundo dos espetáculos, do pop e do sexo devem algo para essa nova cinquentona (a Madonna, não a minha mãe) e nesse mundo que vivemos ela deixou seu rastro. O quanto isso é bom, ruim ou verdadeiro, é que está o ponto da discussão. Mas depois dela, ser uma mulher “rodada” passou a ser sinal de inteligência e virtude. Por essa, nenhuma feminista esperava.

12.16.2008

A nata da música em 2008

No exterior jornais e revistas do segmento musical resolveram (numa estranha coincidencia) soltar nesta semana suas listas de votações dos melhores do ano. É interessante como nestes tempos de crise fonográfica essas listas demonstram que se o produto físico CD está com os dias contados, a produção musical só cresce já que nenhuma dessas listas ressalta uma unanimidade de crítica, como era comum no passado. Se procurarmos bem talvez o álbum "Dear Science", do grupo TV On the Radio (foto), de Nova Iorque seja o trabalho que mais foi citado nas listas que eu separei abaixo.

Mojo
1 - Fleet Foxes - Fleet Foxes
2 - The Last Shadow Puppets - The Age Of The Understatement
3 - Paul Weller - 22 Dreams
4 - Bon Iver - For Emma, Forever Ago
5 - Nick Cave & The Bad Seeds - Dig, Lazarus, Dig!!!
6 - The Hold Steady - Stay Positive
7 - Glasvegas - Glasvegas
8 - The Week That Was - The Week That Was
9 - The Bug - London Zoo
10 - Neil Diamond - Home Before Dark

NME
1. MGMT – Oracular Spectacular
2. TV On The Radio – Dear Science
3. Glasvegas - Glasvegas
4. Vampire Weekend – Vampire Weekend
5. Foals – Antidotes
6. Metronomy – Nights Out
7. Santogold – Santogold
8. Mystery Jets – 21
9. Kings Of Leon – Only By The Night
10. Friendly Fires – Friendly Fires

Q
1. Kings Of Leon – Only By The Night
2. Fleet Foxes – Fleet Foxes
3. Coldplay – Viva La Vida or Death And All His Friends
4. Vampire Weekend - Vampire Weekend
5. Glasvegas - Glasvegas
6. Duffy - Rockferry
7. TV On The Radio – Dear Science
8. Elbow – The Seldom Seen Kid
9. Raconteurs – Consolers Of The Lonely
10. Nick Cave – Dig!!! Lazarus Dig!!!

The New Yorker
1. Bon Iver - For Emma, Forever Ago
2. Portishead - Third
3. The Very Best - Esau Mwamwaya & Radioclit are The Very Best
4. Dungen - 4
5. Taylor Swift - Fearless
6. Lil Wayne - Tha Carter III
7. Ashton Shepherd - Sounds So Good
8. Benga - Diary Of An Afro Warrior
9. Flying Lotus - L.A. EP 1 x 3
10. Cat Power – Jukebox

SPIN
1. TV on the Radio - Dear Science
2. Lil Wayne - Tha Carter III
3. Portishead - Third
4. Fucked Up - The Chemistry Of Common Life
5. Fleet Foxes - Fleet Foxes
6. Santogold - Santogold
7. Deerhunter - Microcastle
8. Hot Chip - Made In The Dark
9 Coldplay - Viva La Vida
10 MGMT - Oracular Spectacular

12.15.2008

A frieza técnica de Madonna


Pelos pequenos trechos que vi da apresentação de Madonna na noite de ontem no Maracanã, a turnê "Sticky and Sweet" é, no geral, muito parecida com as anteriores da cantora: perfeita em sua técnica calculada e muitas vezes fria. É como se cada passo da diva e de seus bailarinos e músicos fossem coreografados com precisão cirúrgica, que é recompensada por uma platéia histérica, feliz e calorosa. Um casamento perfeito, pelo menos para essas duas partes (produção e público).

O rolo do Keroauc



Uma das obras primas da literatura do século 20, o livro "On the Road", do escritor americano Jack Kerouac ganhou uma nova edição - no exterior saiu há alguns meses, no Brasil ele bateu neste último final de semana nas livrarias - mais próxima ao conteúdo original escrito em 1951 e só publicado seis anos depois, após várias mudanças na edição, que o deixou mais “normal”, sem os grandes experimentos de Kerouac, que o escreveu numa tacada só dando vazão aos sentimentos do momento. Aqui em cima tem uma foto do rolo onde o livro foi sendo escrito ao longo de três semanas.

12.10.2008

Capitu



Você assistiu ao primeiro capitulo da microssérie "Capitu", do diretor Luiz Fernando Carvalho, que foi ao ar na noite de ontem? Então assista ao de hoje, que é dessas (cada vez mais) raras combinações entre ousadia estética com elogio às tradições que há séculos teóricos da TV cobram das emissoras.
A montagem, feita aos moldes do teatro, mescla imagens e trilha moderna (Ron Sexsmith, Sex Pistols, etc) com o genial texto machadiano. Para não dizerem que estou exagerando, separei um trecho do capitulo de ontem.

12.09.2008

Incompatibilidade de gênios



Por falar em Caetano Veloso aqui está a versão dele para "Incompatibilidade de Gênios", música de João Bosco que ele está gravando para seu novo disco, "Transamba", que deve ser lançado no primeiro semestre de 2009. A gravação é do show "Obra em Progresso", no Rio de Janeiro.

Eu concordo

Vocês ficaram sabendo do comentário do Caetano Veloso sobre a banda Calypso em um evento sobre Cultura no Masp (Museu de Arte de São Paulo)? Bom, ele falou mais ou menos assim: "O Calipso revoluciona a música popular brasileira e o modelo comercial e de distribuição, o modelo de espetáculo, de composição e canção (...). Hoje, quem parece ser mais independente do mercado vende mais". O impacto da frase pode arrepiar os cabelos dos mais radicais quando lida pela primeira vez. Mas se formos analisar a fundo a linha de pensamento de Caetano, ele está certo. Quando os programas "mundo cão" de domingo descobriram a dupla de Joelma e Chimbinha eles já eram um fenômeno no Nordeste e já tocavam no rádio de milhares de brasileiros aqui do sul maravilha. E isso com um esquema de produção, distribuição e venda de CDs e DVDs totalmente desvinculada das grandes gravadoras. A Ivete Sangalo conseguiu o mesmo com o quadrúplo de investimento e dezenas a mais de assessores de imagem... Discussões de qualidades a parte, o Calypso é quem melhor aponta o futuro da música brasileira no âmbito comercial.

Capas

Dois dos mais esperados discos de 2009 tiveram suas capas anunciadas nestes últimos dias. O álbum de baixo (linda) é do inglês Morrissey e seu novo "Years of Refusal". A de cima é dos escoceses do Franz Ferdinand, e leva o nome de "Tonight". Os dois serão lançados logo nos primeiro meses do ano:

Moleques de futuro



A fotografa americana Jenny Lens lançou nos Estados Unidos uma coletânea de sua carreira iniciada na década de 70, quando começou a fotografar bandas de rock do nascente punk rock. Entre as fotos do livro estão algumas da primeira turnê dos Ramones pela California, quando ainda se preparavam para lançar o primeiro discos, o seminal "Ramones", que chegaria às lojas em 1976, o mesmo ano de quando foi tirada essa foto aí de cima. Ainda garotos, o quarteto de Nova Iorque enxugava toda a pomposidade das mega bandas da época e entregava apenas o osso ao fãs (dois acordes, energia, diversão), iniciando uma revolução que seria sentida do outro lado do Atlantico, na Inglaterra. Se você visse esses garotos feios na rua, daria algo por eles?

12.08.2008

A teoria do rabão

Não estranhe o nome da coluna, pois ela não tem nada a ver com as mulheres frutas que andam por aí exibindo suas frondosas caudas no nosso vídeo. Ou melhor, tem sim, porque trata-se da teoria que anda sendo recebida como profética pelos intelectuais da cultura, e que agora chega ao Brasil através do livro “A Cauda Longa” (Editora Campus), do editor da revista Wired, Chris Anderson (foto).
Tudo começou com um artigo que Anderson escreveu para a Wired em 2006, onde ele defendia através de dados numéricos e observações cortantes que o sucesso de massa em todos os ramos da cultura estariam com os dias contados. Para ele, em poucos anos astros como Madonna (na música), Paulo Coelho (na literatura) ou tantos mega sucessos do cinema não mais existiriam. Tudo porque a variedade de oferta ficaria tão ampla que sobrariam apenas pequenos nichos, sendo consumidos por públicos bem específicos.
Um dos exemplos dados por Anderson é em relação à quantidade de música existente no mercado, apesar da industria fonográfica estar há anos apenas falando de crise. “Hoje, mais de 99% dos CDs existentes no mercado não estão à venda no Wal-Mart. Dos mais de 200 mil filmes, programas de televisão, documentários e outros vídeos que foram lançados comercialmente, uma loja típica da Blockbuster oferece apenas três mil. O mesmo se aplica a outros importantes varejistas e a praticamente qualquer outro produto, desde livros até artefatos de cozinha. A grande maioria das mercadorias não está disponível nas lojas. Por necessidade, a economia do varejo tradicional, movida a hits, limita as escolhas”, descreve Anderson em um trecho da obra.
A teoria do intelectual explica, por exemplo, a guerra de audiência na nossa TV aberta. Até a década de 1980, a rede Globo chegava a bater os 90 pontos no Ibope em um final de novela. Hoje, a emissora briga para manter os míseros 30 pontos de média na audiência no “horário nobre”. Isso em um País onde o acesso aos canais a cabo ainda é coisa de elite. Internet, aumento de qualidade de outros canais, filmes que são baixados a qualquer momento pela web. Tudo isso influi para o encolhimento do alcance dos grandes conglomerados culturais.
Uma revista como a inglesa Uncut, por exemplo, que é cultuada entre os fãs de música europeus, vende, em média, 20 mil exemplares por mês. Há 30 anos o semanário britânico Melody Maker, voltado para o mesmo público, vendia cinco vezes mais em uma única semana.
Isso é bom ou ruim, afinal de contas? Eu não tenho duvidas quanto ao bem que isso faz à sociedade. Talvez se tivéssemos esse panorama durante a década de 60 e 70, o regime militar teria muito mais dificuldade em usar a mídia como veículo de promoção do regime. A Venezuela é um exemplo: Por mais que feche TVs contrárias a ele, Hugo Chavez não consegue calar a ala opositora, pois a Internet e a facilidade com que os venezuelanos têm acesso a revistas e jornais do resto do mundo limitam as garras de seu regime. Quem está do lado de cá também acaba conseguindo saber de detalhes que não são passados pelos meios contrários ao governo chavista, com uma simples navegação por sites de aliados a ele.
O nome “Cauda Longa” vem dos gráficos que Anderson usa para descrever a queda dos produtos “hits” (como ele chama o sucesso de massa), que formam um rabo em direção ao solo.
Se a teoria do americano se concretizar totalmente de nada adiantará o investimento em sucessos populares vazios, como os que vemos hoje. Resumindo: Se a causa de Anderson vingar será o fim das causas que hoje vemos a torto e à direito aos domingos na TV de forma quase ditatorial.

Música documentada

Nas minhas últimas férias acabei indo bem menos cinema do que havia planejado, mas pelos menos as poucas sessões que vi foram bem produtivas, já que a maioria delas foram de filmes que dificilmente voltarei a ver no circuito comercial. Dois documentários que vi na Mostra Internacional de Cinema de SP são exemplos perfeitos dessa afirmação, e terão estréias apenas em 2009, infelizmente em poucos cinemas do País. São eles o ótimo "Loki", sobre o "mutante" Arnaldo Baptista e o bom "A Vida até Parece uma Festa", sobre a banda Titãs.
Abaixo seperei os trailers das obras:




12.04.2008

Só para lembrar...



Daqui a pouco começa a venda de ingressos para os dois shows que o grupo inglês Radiohead fará no Brasil no próximo mês de março. Será uma bela chance de ver uma banda em plena criatividade, fazendo a história da música avançar. Acima está o site onde você poderá obter todas as informações necessárias e abaixo uma apresentação deles no programa "Jool's Rolland", da TV inglesa, em 1997.

12.02.2008

Um clássico do humor

Chega às lojas nos próximos dias uma caixa com três DVDs com os melhores momentos do programa "Os Trapalhões", gravados entre os anos de 1977 e 1992. Uma maravilhosa oportunidade de rever o auge de Didi, Dedé Mussum e Zacarias, e notar como o humor da época continha uma carga de ironia entre o inocente e o malicioso que atualmente seria atacada pelo povo "politicamente correto".

Abaixo uma amostra com o personagem "Aparício"

Texto emprestado

Li certa vez que tudo que você disser sobre um assunto, sempre terá alguém que já disse melhor. Então, uma das melhores formas de expressão é a citação alheia. Nos próximos dias, o Brasil vai ser invadido pela febre Madonna que faz shows aqui a partir do dia 15 de dezembro. Isso me fez lembrar desse antológico texto do jornalista André Forastieri, que no começo dos anos 90 foi editor da revista Bizz. Achei o texto em meus arquivos antigos e o reproduzo aqui.

Quem é essa garota? (André Forastieri, 1993)

"Madonna faz sempre o mesmo show. Madonna fascina pela monotonia. Madonna canta, dança e compõe de maneira mediana. Madonna não fez uma única contribuição à música, mas encarna como quase ninguém o espírito “rocker”. Madonna é diversão garantida.
Madonna nunca diz nada inteligente, mas os intelectuais adoram. Madonna finge que é burra. Madonna joga sempre no seguro, mas foi ungida rainha do marketing. Madonna é uma piranha de filme: vulgar, durona, desbocada, mas com um coração de ouro. Madonna sabe se vender pelo melhor preço. Madonna sempre chega depois da molecada na rua, mas é louvada por estar sempre “up-to-date”. Madonna é comum, mas parece bonita e glamourosa. Madonna vive cercada de gays, mas casou com um machão. Madonna é mulher-bicha, mas eu comia. Madonna quer chocar, mas antes de mais nada quer amor. Madonna foi rejeitada pelo papai. Madonna é Elvis Presley. Madonna quer o mundo já, mas não tem visão política.
Madonna tinha tudo para estacionar nos 80. Madonna foi mais longe do que qualquer outro astro pop, sem ter ido a lugar nenhum. Palmas para a moça, que ela merece".

12.01.2008

O sonho de Atillio Romano Gallo

No último sábado morreu aqui em Americana o aposentado Atílio Romano Gallo, aos 86 anos. Em todas as vezes que eu o entrevistei o tema quase sempre girava em torno do cinema, já que ele foi gerente de praticamente todas salas de exibição americanenses a partir da década 1950.
Além de histórias e lembranças divertidas, como a de quando ele trouxe o cantor Roberto Carlos para tocar aqui no auge artístico do Rei (1971), Seu Atílio lamentava o fim dos cinemas de rua, se dizendo contra os chamados “cinemas de shopping”. “Eles não têm a alma dos antigos cinemas de rua, que eram convidativos para a entrada de pessoas de todas as classes socais”, explicou ele certa vez.
Podia até ser pura nostalgia do velho cinéfilo, mas acredito que a ida dos cinemas para a tranqüilidade capitalista dos grandes centros de compra separou (principalmente nas cidades grandes) os mais jovens de suas próprias cidades. É comum vermos adolescentes que mal sabem andar em seus municípios ou que nunca percebem a beleza arquitetônica de suas ruas centrais.
Atílio, que sempre sonhou em ver os cinemas de volta ao centro americanense, morreu sem realizar seu sonho.
Editor
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PerfilLuciano Assis
Luciano Assis, 32, é repórter do Caderno L do jornal LIBERAL, onde escreve diariamente sobre música, literatura, cinema, teatro e artes plásticas. É também o responsável pela coluna “Entrelinhas”, publicada na edição de domingo do jornal, onde analisa assuntos culturais que foram notícia no decorrer da semana.
Perfíl do Blog
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O Blog Entrelinhas é uma extensão do Caderno L do LIBERAL, e tem como meta informar, comentar e analisar aspectos relevantes da Cultura local, nacional e internacional de forma ágil e interativa com seus leitores, criando uma rede de discussão acerca do mundo dos espetáculos.

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